Roberta, trinta e poucos, mãe do fundão, daquelas que interrompe o pediatra quando ele está falando.
Este blog é dedicado a todas as mães que, como eu, foram presenteadas com criaturas tamanho PP, que choram sem motivo, regurgitam na sua blusa nova, produzem cocôs explosivos, fazem birra no supermercado e não deixam você dormir direito NUNCA MAIS nessa vida de meu deus. Mães exaustas, culpadas, cheias de dúvidas ou à beira de um ataque de nervos, mas que não trocariam esse perrengue todo por NADA nesse mundo.
Aviso: Contém palavras impróprias, desabafos malcriados, humor negro, apologia ao escatológico, uma calça 38 que não passa nem nas canelas, olheiras e falta de glamour em geral.
(Aviso importante: este post já havia sido publicado. No entanto, por inexplicáveis e inabaláveis forças do além blogosférico, resolveu desaparecer. Após muito choro, muitos gritos e fortes ameaças de arremessamento de hormônio quente nas fuças dos responsáveis, ele foi (parcialmente) recuperado. Os comentários desapareceram para sempre. Aos que tiveram a bondade de comentar, meus sinceros pedidos de desculpa.)
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Outro dia li uns relatos interessantes, de mães que afirmam ca-te-go-ri-ca-men-te que souberam que estavam grávidas desde o primeiro segundo da concepção.
Primeiro segundo da concepção, colegas. Do grego NO MOMENTO da conjunção carnal, vejam vocês.
Imaginem. Antes mesmo do ato libidinoso dar-se por pleno e acabado, a rapariga vira pro marido e profecia:
-Arnaldo, ferrou. Nessa eu engravidei, certeza.
Ao que o marido, ainda na cama, e com toda sensibilidade que lhe cabe enquanto-homem-em-momentos-pós-acasalamento, revida:
- Merda, num falei que a gente não devia ter dado o berço do Jorginho pra sua prima?
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Pois eu não sei quanto a vocês, mas esse tipo de premonição nunca aconteceu comigo, e eu sempre tive que me valer de testes de farmácia para saber se a coisa tinha vingado ou não.
Mas quer saber? Hoje eu admito que trata-se da mais pura distração isso da pessoa não perceber que está grávida.
Olhando pra trás e pensando bem, cumadis: será que a vida já não vinha lhe dando sinais inconfundíveis de prenhez, antes mesmo de qualquer atraso na menstruação ou teste de drogaria? Hein?
Eu selecionei aqui alguns dos sinais mais evidentes de gravidez, em qualquer estágio. Se você, colega leitora, desconfia que pode estar grávida, pare e pense se por um acaso você:
- tem se utilizado de artifícios ridículos para roubar comida das mãos de menor indefeso.
Vocês estão na cozinha. Seu filho de 3 anos degusta a última banana da fruteira.
Num ímpeto hormono-gravídico você aponta pra sala e grita:
- Filho, olha quem veio visitar a gente! O Julio! (aquele da gaita, colegas).
No que o rapaz vira em direção a sala, você ZAP: afana-lhe metade da banana, sai correndo e se tranca no banheiro, onde permanece até que o último centímetro da fruta seja devorado.
Uma mãe que rouba comida do proprio filho...Cadê direitos humanos?!
- tem tido sonhos esquisitos, daqueles que Raul Seixas tinha quando exagerava no LSD
Grávida tem sonhos surreais, todo mundo sabe disso. Então se você:
Sonhou que Mick Jagger era casado com seu pai.
Que seu gato colecionava papéis de carta.
Que sua mãe anunciava a gravidez (dela).
Ou que sua melhor amiga era uma ovelha falante e gesticuladora.
Atenção:
Aconselho que compre um teste de farmácia urgente. (Ou que pare com as drogas).
- Celulites, proliferação de
A cada semana, novos buracos celulitófagos povoam a sua judiada tez.
Buracos desbravadores, que, tal qual vegetação tropical que resolve brotar em pleno cerrado, nascem em lugares nunca d’antes habitados, como queixo, braço e joelho. A cada semana um novo buraco. A ponto de você desenvolver uma tese de que é possível saber a idade gestacional de duas formas: 1. pela medição da barriga e 2. pela contagem de novas crateras celulitófagas.
- esquece de desligar a luz, esquece de ligar para as pessoas no aniversário e esquece…objetos inusitados em lugares improváveis.
Toca seu telefone, você atende, alô.
- Alô. Aqui é do consultório do seu ginecologista. Você esqueceu uma coisinha aqui no consultório, diz a secretária.
- Ai, não acredito, esqueci meu celular? De novo? Desculpa, tô passando aí e…
- Hum..não foi o celular. Aliás, você não pode ter esquecido o celular se está falando nele. Certo?
- hehehe, verdade, ups.
- Você esqueceu a…erm…hum…sua calcinha – diz a secretária, sussurrante.
- A minha o que? Fala mais alto por favor?
- A calci…a calcinha.
- Hã?
- A CALCINHA. VC ESQUECEU A SUA CALCINHA NA GAVETA DA SALA DE EXAMES DO CONSULTORIO DA GINECOLOGISTA. ENTENDEU?
Vejam, eu não sou uma calcinha adequada para visitas ao ginecologista.
(Abre parênteses pra dizer que, antes desse post ter se perdido, pessoas queridas e preocupadas apareceram no Facebook dizendo “Ro, por favor me diga que esse lance de esquecimento de calçola é mentira”. Ainda bem que a vizinhança aqui em Cingapura é fiel e verdadeira e, logo logo, apareceu uma querida, no post do facebook, confirmando que não só testemunhou a vergonhança toda, como me convenceu a não voltar ao consultório para buscar a calçola NUNCA MAIS nessa vida de deus meu. Disse a vizinha que o vexame ia ser ainda maior. Então eu deixei a calcinha no consultório. E mudei de ginecologista pra sempre.)
***
Não sei quanto a vocês, mas eu tenho pra mim que, quando a pessoa esquece a calcinha no gineco, rouba comida da mão do filho e sonha sonhos LSD plus, é momento de se fazer um testinho de gravidez.
Chegando na farmácia eu me dei conta que já eram onze da manhã e que, se eu quisesse fazer um teste que detectasse a gravidez em urina que não fosse a primeira do dia, eu teria que apelar para um teste de maior sensibilidade. Aquele teste podre de caro, ele, o temido, o ingrato, o desaforado TESTE DE GRAVIDEZ DIGITAL.
Pausa para explicar que lá se iam meses e meses de tentativa de engravidar e a minha birra com os malditos testes digitais só fazia aumentar.
Porque, cumadis, uma coisa era receber um teste negativo de um palitinho que faz listra.
O palitinho de listra é tímido. O palitinho de listra é ponderado, o palitinho de listra é amigo da gente.
Quando a listrinha solitária aparece, indicando não-gravidez, o palitinho de listra se comove, ele fica triste por você.
Sou um palitinho de listrinha. Estou triste por você
Já o palito digital, ai que abuso!
Cada uma das vezes que utilizei o tal do teste digital, quanta raiva.
Pra quem não conhece, no palito digital, em vez de listrinhas você vê escrito:
- pregnant (grávida)
ou
- not pregnant (não grávida)
Ah, mas na minha cabeça o “not pregnant” nunca chegou de forma suave e sentida, como com nosso colega de listrinha.
Ele chegava a mim de forma GRITADA, debochada, cruel.
NOT PREGNANT HAHAHAHAHA, NOT PREGNANT HOHOHOHO HIHIHIHI
Mas como não tinha outro jeito, resolvi encarar o teste, o modernoso, o tablet dos palitinhos. Fui no banheiro do shopping, fiz xixi no palito bruxa e enfiei ele dentro da bolsa, assim, sem esperar.
Ah, porque o teste digital ainda conta com mais essa crueldade: são 3 minutos de espera, gente ótima. Três intermináveis minutos onde, na tela, se vê um sinalzinho de espera piscante – como se você já não soubesse o que está por vir.
A essa altura eu já tinha certeza mais que absoluta que o teste ia ser negativo.
Então fiz xixi, tampei o palito, tasquei o infeliz piscante na bolsa e fui pro balcão pedir um café.
- Um espresso, por favor.
Cinco minutos e um café espresso depois, resolvo sacar o teste maledicente da minha bolsa.
Cumadis do céu. Nunca, nem que eu viva mil anos, eu poderei esquecer daquele momento, e do salto que eu dei quando me deparei com um gigantesco, imponente e sensacional PREGNANT no visor do teste.
Eu chorava. Eu sorria.Eu gargalhava. E, acima de tudo, eu tremia dos pés à cabeça.
Tento ligar pro marido, cai na caixa postal. Tento de novo, olho ao redor, ninguém conhecido.
Vem o mocinho com a conta do espresso.
- São três dólares, por favor.
- Obrigada. Desculpa o choro, é que eu tô grávida, acredita?
- Oi?
- Eu tô grávida, moço, juro por alá, olha aqui o teste!
E estendo o palito mijado pro rapaz, que, num misto de nojo e indiferença sorri um sorriso forçado e diz:
- Ah, legal. São 3 dólares.
Pago a conta e começo a rondar o shopping feito barata tonta, sobe escada, desce escada, tenta ligar pro marido, ri, chora, tenta de novo, ele atende:
- Tô em reunião, amor, me liga daqui a pouco – e tum tum tum – desliga.
Penso, quer saber? Vou ligar pra uma amiga, eu não guento de vontade de dividir essa alegria com alguém!
Toca o telefone, atende o marido de novo:
- Amor, eu tô em reunião, já disse – ele sussurra.
- Vixi, eu liguei de novo pra você, foi? Hahaha, essa foi ótima. Desculpa amor eu tava tentando ligar pra fulana e…
Tum tum tum – marido desliga.
Tento novamente ligar pra amiga.
Toca. Toca. Toca. Marido atende.
- Amor, não é possível. Cara, eu tô no meio de uma reunião super importante, eu tive que sair da sala, o que tá acontecendo? Cê tá louca?
- Não, querido, eu não tô louca. Eu tô grávida.
***
Senhoras e senhores, eis a foto da pessoinha belezura que ando fabricando:
Toca aqui quem também acha ela louca!
Eu já tinha anunciado a gravidez aqui nesse post, lembram? Uia, cada comentário fofo que recebi. Obrigada.
No post eu disse que voltaria aqui pra anunciar o sexo da lindeza.
E, como muitos de vocês já souberam, através do Livro das Faces, quem habita meu ventre é uma menina. Me-ni-na, acreditam?
E desde que soube que gero uma menina, mil e quinhentas questões profundas, tais como liberdade, machismo, violência, criação, direitos e outras regressões não param de habitar meu pensamento, que já era intrafegável.
Mas hoje acordei numa vibe tão girls just wanna have fun que, por hora eu prefiro tratar de assuntos leves e nada existenciais.
Como, por exemplo, as três primeiras peças que comprei pra pequena, entre elas: óculos escuros (imprescindíveis no recém nascimento (?)), camiseta The Rolling Stones (igual a do irmão mais velho) e uma outra, rosa choque, onde se lê “Ainda moro com meus pais” – porque, no que depender de mim, eles assim o farão pra sempre por muito, muito tempo.
E daí, gente ótima? Será que eu dou conta?
Será que me nasce uma menina porreta igual ao irmão?
Baterá a sorte duas vezes em minha porta?
E o parto? Terei mais um rebento nascido as 42 semanas?
Dar-se-á o desfralde da mesma forma tranquila que deu-se com o primogênito?
Será que ela vai curtir herdar minha coleção de papéis de carta?
Elvis está mesmo morto?
O que significa sonhar que seu pai é casado com Mick Jagger?
Eu estava na aula de yoga, aquela que promete endurecer o meu espírito e ampliar as minhas nádegas, digo, ampliar o espírito e me endurecer as nádegas.
Estica dali, espicha de lá e vamos à posição facing dog. Na posição facing dog o sujeito encosta as mãos no chão e eleva o que há de menos elevado em direção aos céus.
Assim ó:
esta não sou eu, claro
Atrás de mim um espelho.
Na minha frente e dos dois lados: gente, gente, muita gente, sala lotada.
Todo mundo na posição da foto, de cabeça pra baixo, se olhando no espelho por entre as pernas. No espelho um bocado de bunda e bochechas vermelhas – é o sangue descendo pra cabeça – já dizia minha mãe.
Mas hoje, colegas, hoje o deus namastê ilê-aê tinha outros planos pra mim.
Cumadis. Tô na posição ali da foto, dou aquela mirada no espelho por entre as pernas e me deparo com um FURO. Não um furinho meia boca, não senhoras. Um furo com dimensões continentais. Tá bom, continentais é exagero meu – pense Amapá. Não, não. Pense Roraima, que é mais robustinha.
Nessas horas eu fico pensando. Com tanto dia pra pessoa vestir uma calcinha rosa choque embaixo da calça preta, porque senhor, porque, porque que esse dia tem que ser BEM o dia em que me aparece um rombo nos fundilhos da calça?
Acompanhe o desespero. Imagine um espelho longo, longuíssimo. Uma sala lotada, todo mundo na tal da posição bochecha rubro. O que se vê são bundas em série, devidamente revestidas em calças escuras e dignidade. E em meio àquela imensidão toda de bundas pretas, cinzas e dignas vê-se um ROMBO. Um rombo através do qual vê-se uma calçola nem tão nova assim, de cor rosa choque.
A cena era tão humilhante, que minha vontade era fechar os olhos e me tele-transportar pro Amapá. Não, pra Roraima, que é mais longe um pouquinho.
Mas o pior ainda está por vir, cumadis.
Percebam: a posição facing dog ou bochecha invertida é tipo o CORINGA da Yoga. Uma posição que se repete ad eternum, entre uma posição e outra. Sempre. Ela une as posições como se fosse uma ponte, um cupido, um facebook.
E a cada nova erguida de fundilhos, uma nova humilhação.
Não o tipo de humilhação que começa e termina. E sim um vexame que se estende por uma hora, num indo e vindo infinito de fundilhos expostos.
Naquilo que a ciência hoje conhece como humilhação prolongada.
***
Todo mundo sabe que os momentos vexatórios ou humilhantes da vida se dividem em dois tipos: instantâneos e prolongados.
A humilhação instantânea começa e termina e, embora dolorida, ela é administrável.
Você certamente sobreviveu a algumas humilhações instantâneas nessa vida, principalmente durante a adolescência.
São consideradas humilhações instantâneas:
- Ter levado aquele tombo em frente à cantina do colégio, bem na hora do recreio.
- O dia em que sua menstruação passou e quem te avisou foi a garota mais maldosa da sua classe, no maior estilo gritante “EI! HAHAHAHA. PASSOU! OLHA, GENTE, PASSOU! HAHAHAHA”
- Ter tropeçado na frente do seu primeiro namoradinho.
- Ter sido buscada naquele bailinho pelo seu pai, vestindo pijamas.
A humilhação prolongada, ao contrário, faz com que sua reputação entre em modo quase irrecuperável. De maneira que mudanças de nome e país são altamente recomendadas. São humilhações prolongadas:
- Ter levado aquele tombo em frente à cantina do colégio, bem na hora do recreio. Por conta do tombo você rasga a calça, bem entre uma nádega e outra. E o seu moletom, que poderia ser amarrado na cintura, escondendo Roraima, ficou dentro da sala de aula. Que fica no 3o. andar do prédio W, do outro lado do inferno.
- Ter sido buscada naquela festa bailinho pelo seu pai, vestindo pijamas. E seu pai desce do carro. E começa a dançar. No maior estilo volare, o o, cantare o o o o.
- O caso da menina que foi mandada pra escola vestida de árvore porque aquele era o dia da árvore. Mas aquele não era, de fato, o dia da árvore. (Leia sobre a coitadinha aqui.)
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Eu pensei em sair da aula, mas ia ser pior. Eu teria que passar por um caminho loooongo, enfestado de bochechas e bundas dignas, eu e minha Roraima rosa choque.
Fiquei foi ali mesmo, tentando abstrair.
Eu respirava e pensava “eleve-se! abstraia! desconecte-se das merdas mundanas!”
E, do nada, me veio à cabeça algo inusitado: o chiclete que deixava a boca azul.
E eu fiquei pensando como raios a nossa geração sobreviveu à humilhação que eram as sacanagens vexatórias.
Nego te dava chiclete que te deixava a boca azul.
Depois nego te dava uma caixinha prateada com uma foto de mulher pelada, você abria e tomava um mega choque.
Ovo na cabeça.
Neocid.
Respirei fundo, tive orgulho da sobrevivente que há em mim, e elevei suavemente os fundilhos.
(o que, desconfio, não tenha sido tão suavemente assim, posto que nesse momento o bagulho fez crrrrr e o rombo ficou do tamanho do estado do Amazonas).
Tá bom, então vou imprimir todos os comentários de vocês e levar pro terapeuta, confere?
E ele que se vire.
Dia desses eu conto pra vocês dos tiques e manias que eu venho observando no rapaz.
Primeiro que ele é um piscador rapidinho, sabe daqueles? Aquele tipo que fica um tempo sem piscar e daí, quando pisca, pisca 12 vezes seguidas?
Minha prima era uma piscadora rapidinha. Quando eu era criança eu achava isso um charme. Tentei imitar o tique dela durante meses, mas percebi que essas coisas eram um presente de deus pra pessoa, não adiantava querer imitar.
Uma coisa que me irrita um pouco no meu terapeuta é que, quando ele fala a palavra BLOG, ele não pronuncia bloG, com o G no final. Ele fala algo parecido com bló, meio como se tivesse nojo, sabe? Uma coisa meio blé, colocando a língua pra fora. Bló. Irritante, vai?
Pra finalizar, ele me lembra o Mr. Bean. Eles não são mega parecidos, mas eu costumo dividir as pessoas em categorias de parecimento, e ele definitivamente pertence à categoria Mr Bean.
Não sei se vai prestar essa terapia. Olhar pro Mr Bean, piscando freneticamente e colocando a língua pra fora pra falar do meu bló me desconcentra um bocado.
fale-me sobre o seu bló
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Duas semanas atrás eu convidei três cumadis pra participar de um vídeo da TV MMqD, que acabou não indo ao ar, por motivos de saúde e razões variadas.
O tema enviado às participantes foi sugerido pela Mari, nos seguintes termos:
“Acidentes, gafes, situações em que vc foi uma péssima mãe -- tipo esquecer de levar fraldas em viagens longas (oi!) ou bater com a cabeça do filho na hora de colocar na cadeirinha do carro”.
Entendam que a razão dela ter escrito a palavra OI!, entre parênteses, assim ó: (oi!) foi justamente porque -- óbvio -- eu mesma já esqueci as fraldas do bebê.
Pois vocês acreditam que o denial e a amnésia materna me acometeram de um tanto, que na hora que li, pensei:
- Gente, mas que tipo de mãe vai pra uma viagem LONGA cas criança e me esquece de levar as fraldas, me diz?
De qualquer forma, queria pedir desculpas a Letícia, Mariana e Giuliana pelo cancelamento do vídeo em questã.
E pra vocês não ficarem completamente des-videa-das, eis Noah aqui, no último dia dele com 2 anos de idade, cantando, serelepe, todo bilíngue-lhes.
***
Agora voltando à terapia.
Algumas coisas que ele mencionou, como o tempo despendido na Interenet, faz sentido vai?
Daí tomei a liberdade de formular um super Questionário de Avaliação de Vício e Dependência para com o Mundo Virtual.
Sigam-me os bons:
1. Você costuma proceder a leitura de blogs no banheiro?
Sim.
2. E acha isso correto?
Sim. Chama-se otimização do tempo. Do latim poupam-tempusos.
3. Já interrompeu tarefas nobres e prazeirosas, só para ficar na Internet?
Sim.
4. Já ouviu do seu filho “mamãe, sai da frente do computador!”
Sim.
5. Já sonhou com amigas blogueiras as quais nunca conheceu pessoalmente?
Sim.
6. Sente que, às vezes, tem mais apoio de amigos virtuais do que os reais?
Sim.
7. Já conferiu comentários ao seu post na mesa de um restaurante?
-Sim.
8. Na frente do seu marido?
- Não.
9. Você espera ele ir ao banheiro?
- Sim.
10. Já entrou na Internet depois da uma da manhã?
Sim.
11. E das 3 da manhã? 4? 5?
Sim. Sim. Sim.
- Já conferiu o celular antes de entrar na igreja pra casar?
- Não.
já mandei pro face, agora deixa só eu dar uma tuitada e...pronto, posso casar.
(é que eu não casei na igreja…)
Se você respondeu SIM à apenas uma ou duas perguntas, CONGRATULATIONS! Você é pessoa equilibrada e sabe dosar os blós, tuits e livro das faces de maneira exemplar.
AGORA. Se você, como eu, mandou SIM adoidado, só posso te sugerir que procure o Mr Bean piscador frenético mais próximo de você.
E por favor, cumadis do bem, me poupem de argumentos de que me viram na TV MMqD e que eu tô toda em cima. Gente. Com a câmera fechada em mim daquele jeito, o que vocês sinceramente conseguem ver de minha pessoa naqueles episódios? O pescoço? Pois ok, eu admito: meu pescoço está deveras inteiraço: meu pescoço é gostosão, meu pescoço é boazudo, ele é a parte mais playboysível de mim mesma – muito provavelmente a única.
Mas o resto anda precisado de revisão. Existem áreas mais críticas, feito o músculo (?) do tchau e aquela pele mais marromeno que fica entre as pernas, sabem qual? Dá vontade de pregar-lhe um durex, puxar a pele e fazer um acabamentinho na parte de trás. Chama-se lipo DIY.
Aliás, eu sempre me pergunto porque raios as peles mais passíveis de acelulitamento, enrugamento ou amolecimento estão localizadas sempre em regiões mega visíveis pelo público presente? Porque que a mãe natureza não teve a delicadeza de me colocar esta pelezinha propensa à flacidez no calcanhar da pessoa? Nos dedos? Embaixo da unha? Me digam QUEM no universo iria perder noites de sono com manifestações celulíticas na região da nuca?
Daí você me pergunta: Mas você não faz a porra da yoga? Não era pra estar com o bracinho todo Madonnificado? E eu te respondo: People, a yoga que Madonna faz não vem a ser a mesma que eu faço. A que eu faço é uma belezura, toda meditante, toda amiga, toda companheira da alma. E é ela a responsável pela vitoriosa marca de apenas UMA desavença em mais de três anos de blog – quase que eu aposento sem uma briga.
Enfim, uma yoga tetéia pro espírito, mas pro corpo ela é meio café com leite.
YOGA ROBERTENTA: eleva o espírito (e nada mais). Elevar espírito queima 2 cal/hora.
YOGA MADONNENTA: quem precisa de elevação de espírito quando se eleva a perna desse jeito?
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Meu terapeuta torce para minha aposentadoria bloguística.
Não que ele me diga isso, assim, abertamente. Terapeutas nunca falam coisas muito abertamente: eles aprendem na faculdade que o chique mesmo é ser reticente. Aliás, terapeutas adoram responder perguntas com outras perguntas, já perceberam? Você questiona:
- Mas você acha isso importante?
E a resposta mais conclusiva e esclarecedora que você há de obter é:
- Eu? Porque? Você acha?
Meu terapeuta acha a blogosfera materna opressiva. Não que ele tenha admitido isso assim, abertamente. Mas ele usou a palavra “oppressive” cinco vezes enquanto falávamos da minha relação com o blog, a maternidade e a blogosfera.
Interessante que terapeuta tem uma linha de raciocinio de deixar qualquer novelo de lã com inveja: da blogosfera, ele passou pro aborto, depois pras tentativas, testes negativos, falsos positivos, mais perdas, fantasmas e medos.
Rodou, rodou, até chegar no clássico dos clássicos, o famoso, o insubstituível:
- Agora fale-me sobre o seu pai.
O pai, sempre ele. O que tem uma coisa a ver com a outra?
Juro por Deus que se eu tivesse mais intimidade com o terapeuta eu mandava logo um clássico da literature sheakspeareana ”But what does the asshole have to do with the pants?”
(mas o que tem o cú a ver com as calças?)
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Eu já fiz minha lista de resoluções pro ano que vem.
E vocês? A minha listinha inclui: lidar com fantasmas do passado, passar menos tempo na frente do computador, aprender mais uma língua, acrescentar yoga Madonnenta ao meu pacote de “yoga boa pro espírito”, conhecer mais da Asia, ler sobre feng shui, dançar mais, e secretamente desaparecer do facebook.
Ah! E seguir com Yoga e a terapia. E quem não precisa?
Era uma quarta-feira de manhã quando escrevi as resoluções 2012. Mas em vez dar início a qualquer um desses projetos, eu fui lá e coloquei aparelho nos dentes.
Aparelho. Dentário. Fixo.
porque você sempre pode embagulhar um pouquinho mais
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Vocês pensam que eu também não acho meio patético a pessoa recorrer a tratamento ortodôntico no auge de sua versão 36.0? Um lado meu está morrendo de vergonha de sair por aí com aparelhos nos dentes.
Por outro lado, só posso agradecer de ninguém ter tido o bom senso (ou a grana) de ter feito isso comigo na adolescência.
Porque, gente, o que eram os aparelhos dos anos 90?!
Os aparelhos daquela época começavam nos dentes, percorriam o pescoço, o cérebro, o sistema nervoso central e iam dar lá na virilha da criatura. Eram infinitos, pesados, maciços. Guardavam resquícios de comidas ingeridas durante 6 ou 7 dias.
Ensejavam bullying, nego era chamado de boca de ferro, de freio de cavalo.
Lembro até hoje do Ferrorama, coitadinho. Ferrorama era apaixonado pela Camila, mas não tinha coragem de beijá-la porque rumores corriam de que os dois ficariam grudados pelos respectivos aparelhos dentários PRA SEMPRE.
- Pra sempre é tempo demais, ele dizia.
Fico pensando o quanto deveria ser irritante pro pessoal que usava aparelho e qual tipo de trauma isso tudo causou.
Ah, porque, né? Eu sei que tem muita gente que vem aqui que é to-da trabalhada na arte & craft, toda provida de talento, toda Madame Martha Stewart. sei sim.
Mas quer saber? Nasci com duas mãos esquerdas MAS sou audaciosa e cara-de-pau, colegas.
Então bora lá.
Antes, algumas informações sobre a festa, não que vocês tenham perguntado.
- Ao todo foram 18 crianças. A festa aconteceu em um dia de semana e, portanto, os maridos não compareceram, pobrecitos. As mães que trabalham fora (daquelas com horário, chefe e carteira assinada) pediram pra sair um pouco mais cedo. Marido foi a única presença masculina adulta, ó bendito entre as malucas mulheres.
- Não teve cachaça, cerveja ou mé de qualquer espécie.
- Eu comecei a fazer tudo com 4 semanas de antecedência. Meu nome do meio passou a ser Planejamento.
- Como economizei na cachaça e na decoração, me dei ao luxo de alugar uns brinquedos. Foi a melhor coisa que fiz, posto que, na hora da festa, me caiu um pé d’água de abalar Bangu.
- Desde o começo eu coloquei na cabeça que as crianças sentariam na hora do parabéns pra você, como nos velhos tempos. Mas, aparentemente, esses velhos tempos só aconteceram pra quem morava em algumas regiões do Brasil, visto que muita gente me olhou como se eu fosse doida quando mencionei isso no primeiro post sobre a festa. Enfim, quando eu era pequena, na era pré glacial e onde EU morava, as crianças sentavam na hora de cantar parabéns. E eu achei que aquilo fazia todo sentido. Como eram quase 20 crianças a mesa ficou longa, cumadis, ah se ficou. Mas o resultado é tão…tão…tão romântico, tão escola primária no século 19, tão cada um no seu quadrado!
Vou postar algumas fotos hoje e pretendo postar outras no MMqD, na sexta-feira. Assim tenho tempo de ensaiar todo aquele passo-a-passo. Lembrando que a festa não teria existido nos moldes do “faça você mesma” se não fosse por vocês, que me deram tantas idéias e me inspiraram tanto aqui! Vocês e o maridão, deus benza.
No aniversário-halloween-feito-em-casa-do-filhote…
Teve suco servido em jarra de jardinagem:
prazer, sou uma jarra de molhar plantas
eu também! eu também!
Teve varal de pipocas:
sou varal de pipocas, sou sucesso absoluto
Cookies feitos pelo marido, dentro de vidrinhos blim-blim:
e eu não disse que ia dar um jeito de blim-blimzar??
Teve balão fantasminha:
pra que ser apenas um balão se você pode ser um balão-fantasminha?
Pirulitos de chocolate que ficaram (quase) em-pe-zi-nhos!
se empurrar, nóis cai
E teve espaço pra criançada desenhar, recortar, criar.
Teve mãe bruxa contadora de histórias:
percebam meu talento para assustar a criançada
E teve o homem aranha mais gostoso do mundo:
mistura de spider man com jamie oliver
E daí? Deu pra enganar, meu povo? Ou ano que vem é melhor me jogar no buffet e desfilar na Unidos da Isopor?