E eu não disse que voltava?
Se imagens dizem mais que palavras, quem sou eu pra ficar de blábláblá, não é verdade?

E eu não disse que voltava?
Se imagens dizem mais que palavras, quem sou eu pra ficar de blábláblá, não é verdade?

Outro dia veio um indiano tamanho PP aqui em casa pra cortar os galhos de uma árvore que já estava criando vida própria e entrando pelas janelas da casa. O rapazote subiu em um galho mais fino que o braço de Gisele Bundchen e o raio do galho não quebrou.
Eu fiquei ali na janela, comendo uva e contemplando a leveza do rapaz.
Uva vai, uva vem, senti alguém puxando a minha saia. Era Luna que me olhava, fazia barulhos indecifráveis e mexia a língua para esquerda e para direita – um jeito meigo de dizer que está com fome. De novo.
Levantei a bichinha no colo e disse:
“Luna, meu amor. Se fosse você ali trepada, aquele galho já tinha era quebrado em três partes, né não?”
Ela me sorriu e me olhou no fundo dos olhos, enquanto os dedinhos gordos e serelepes surrupiavam as uvas todas.
Esse é o tanto de tempo que eu não venho aqui: minha filha já está mais pesada que um indiano adulto de médio porte e eu não registrei na-da por aqui ainda.
Então vamos ao resumão:
1. Luna é pesada, Luna é comprida.
Totalmente diferente do irmão, que só teve 10 kilos aos, sei lá, dois anos de idade. Abacate, chuchu, mamilos, quiabo, papel, guarda-chuva, nota promissória. Tá na mão, ela come. E pimba na cabeça das pessoas que insinuavam que meu filho não comia por minha culpa. Hoje tenho pra mim que a pessoa já nasce trabalhada no DNA de comilança ou não-comilança. Todo um ácido ribonucleico distinto um do outro, gente? E saídos da mesmíssima barriga, vá entender.
2. Luna ri.
Mas ri, assim, de engasgar. Ri de borboleta, ri de barulho de pum. Outro dia ela viu uma foto de Lula no computador e riu copiosamente. Eu então conclui que uma pessoa que ri de um petista barbudo há de rir de qualquer coisa nessa vida. E é debochada, a bicha. Posso estar enganada mas não lembro do primogênito rir de doer a barriga ao me ver com a toalha enrolada na cabeça depois do banho. Acho que o gene da sacanagem e do deboche vão fortalecendo a cada geração.
3. Luna acorda quatro, seis, oito vezes por noite.
Não há um só dia que eu não acorde, olhe pra ela e diga “Você me tome prumo ou eu te mando pra França”. E na França ela sabe o que lhe espera: toda uma gama de bebês dormidouros, comportados e filhos de mãe magra. Ela tem medo e promete mudar.
4. Luna e o irmão se amam.
Se lambem, se abraçam se beijam. Almas gêmeas. Noah me proibiu, inclusive, de dizer que vou mandá-la pra França. Quando sou voluntária na escola levo Luna a tira-colo. Ele se realiza: “minha irmã, meu bebê, não toquem no meu bebê”. Se orgulha muito dela. Ele teve uma fase difícil, do nascimento até pouco tempo atrás – principalmente quando estivemos no Brasil. Também, calcule: entre um garoto de 4 anos e uma bebê cujas pernas não conseguem nem se separar e nem se juntar, tamanha adiposidade entre elas, quem que o povo queria apertar? Ele ficou bastante enciumado e pentelho, mas nunca com ela. Hoje ele superou, ficou ainda mais gostoso e voltou a sorrir com os olhos.
5. Luna paga pra não sair do lugar.
Noah com essa idade não me dava um minuto de sossego, comia carpete, lambia tomada, derrubava livros. Luna é econômica: engatinha, mas só quando precisa MESMO. Do contrário fica sentada, coisa que já faz desde os 4 meses. Senta e olha a banda passar. Quando almeja um brinquedo distante, primeiro pede a escrava (eu). Se eu não acato ela recorre a Cruz Vermelha, ao Exército da Salvação, a ONU. Se ninguém a ajuda e ela pre-ci-sa engatinhar para alcançar o tal brinquedo, ela vai. Mas vai e já faz tudo o que tem que fazer lá do outro lado: pega o brinquedo, aproveita a viagem e faz a unha, faz mercado. Tudo na lei do mínimo esforço. Afinal, ela não sabe se voltará para aquela região tão cedo.
***
Eu moro longe, não tenho carro e sou constituída de hormônios de toda sorte. Resultado? Dei pra fazer caldo de carne caseiro.
Fiquei amiga do açougueiro, de onde compro os ossos pra fazer os caldos. Com ele converso sobre mocotó e canela de boi, acho descontraído (minha vida é um tédio, sim ou com certeza?)
Ele me garante que os ossos são de boa procedência – I mean, se você não puder confiar em vacas australianas alimentadas exclusivamente de grama em quem mais você pode confiar nesse mundo, meu deus?
Eu gosto do açougueiro, só não gosto do assistente dele que, por ser asiático, é extremamente sincero:
- Vai fazer caldo? De novo? – o assistente pergunta.
- Vou, ué.
- Ah.
Então ele enche as bochechas de ar, balançando a cabeça pra lá e pra cá, imitando uma gordinha faceira.
Também não vou aceitar o pedido dele de amizade no Facebook.
***
Minha filha tem 8 meses e já tem gente me perguntando quando vem o terceiro.
Vejam, o terceirim está praticamente descartado não é pela trabalheira, nem pelas acordações, deboches, papelões na escola, açougueiros abochechados ou qualquer sorte de perrengue advindo da criança em si.
O que me aporrinha é a gravidez.
Me dê gêmeos recém nascidos pra eu cuidar mas não me dê uma gravidez.
Me dê trigêmeos coliquentos mas não me dê 9 meses de prenhice.
Me dê quíntuplos. Pior: me dê quíntuplos insones. Não, não, pior: Me dê quíntuplos insones, filhos de Alexandre Frota, que me deixa em casa cuidando dos 5 enquanto posa de vestido de noiva.
Esse é o tanto que eu desgosto da gravidez.
***
Mas também não dá pra confiar muito nas minhas convicções. Até semana passada eu não afirmava categoricamente que não queria cachorro?
“Só teremos cachorro quando Noah souber limpar a bunda – a dele e a do cão”
Mas eis que chegou a mim um compartilhamento feicibuquiano: uma ONG procurava alguém para adotar Jerry.
Jerry é um filhote bem sofrido: separado da mãe e do irmão, ele foi encontrado na rua, chorando, cás-conta pra pagar e com o rabo quebrado.
Foi levado ao veterinário, sofreu uma cirurgia, arrancaram-lhe (parcialmente) o rabo. Muito doce e serelepe, se recuperou rapidamente.
E um aviso da ONG:
“Se não encontrarmos alguém para adotá-lo ele terá que ser executado na semana que vem, em obediência às leis singapurianas.”
Ouviram? Poderá ser e-xe-cu-ta-do.
Escrevem isso e me colocam ESTA foto:
Agora vá dormir com essa barulheira, cumadi.
Me canditei, né gente. Executado?? Com uma orelha pra cima e uma pra baixo, desse jeito?
God is more.
O pessoal da ONG vai vir em casa no fim de semana para atestar se nossa casa é apropriada pro nosso coleguinha.
E é de suma importância que eu mostre a eles que aqui em casa não há sujeira:
Que não há qualquer forma de violência:
Que aqui imperam disciplina e bons modos:
Sem prática de trabalho infantil de qualquer espécie:
Uma família normal e tranquila, acima de tudo:
Há outros candidatos, a ONG vai escolher o mais apropriado.
Torçam pra que Jerry fique bem, não importa onde, não importa com quem.
(Ora, francamente, é claro que importa. Torçam por nós?)
Eu volto aqui pra contar.

Notas pré-relato:
- Noah nasceu de um cesariana a qual, sinto dizer, não me é uma ferida aberta. Tenho cá pra mim que existem dois motivos para isso:
1. EU pedi para ser induzida quando estava com 41 semanas e 3 dias. Meu médico teria esperado, tranquilo e feliz, até 42 semanas. Essa indução pedida por MIM acabou por ocasionar um cesariana. Meu médico não faz parte do grupo dos mentecaptos e foi escolhido a dedo por ser um dos poucos “parteiros” do Rio de Janeiro. E, sim, eu já me perdoei pela minha escolha (e faz tempo).
2. Tive a sorte e a sabedoria de ter escolhido como pediatra Dr Ricardo Chaves, este anjo que vocês podem ver aqui. Noah mamou na primeira hora de vida e ficou do meu lado o tempo inteiro, o que acabou por minimizar qualquer perrengue que tenha sofrido.
- Na segunda gravidez eu aprendi a lidar com a minha ansiedade e quis parir pela vagina (ui!). Consegui um VBAC – Vaginal Birth After C-Section. Consegui porque fui atrás de um médico que não acreditava que “uma vez cesárea, sempre cesárea”. Não são todos, ainda mais no Brasil. Não me saio bem como militante mas tenho um punhado de informações que podem ser úteis pra quem quer um VBAC pra chamar de seu. Deixe seu email, ficarei super feliz em ajudar. Luna nasceu de parto normal sem anestesia (foi a anestesia que não me quis e não vice-versa), em posição posterior, sem episio.
- Toda essa dor a que me refiro a seguir se deve ao fato de que Luna estava em uma posição que, geralmente, causa partos bastante doloridos. PLUS minha anestesia não pegou. Não quero ser acusada de desencorajar quem esteja buscando um parto normal, era o que me faltava. Além do que, dor é um lance pessoal e intransferível: diz Gisele Bundchen que não sentiu dor alguma (e ainda por cima é magra, a rapariga…há justiça?)
- Respeito demais os relatos, o sofrimento e todos os nós deixados nas gargantas de mulheres que se sentiram e se sentem enganadas e violentadas em seus partos. Não deixem de assistir a este documentário sobre a Violência Obstétrica no Brasil.
- Eu ainda acredito que parto deva ser uma escolha da mulher. Escolha esta precedida de informação de qualidade, sempre. Senão não é escolha.
- Como escrevi na página do Piscar no Facebook “Eu queria um relato sério, classudo, todo trabalhado no respeito para com a instituicao P.A.R.T.O. Mas a coisa foi degringolando, foi arobertando, foi entortando tanto que, no final, parecia que quem tinha parido era Didi Moco.”
“Respeito muito minhas lágrimas
Mas ainda mais minha risada
Inscrevo, assim, minhas palavras
Na voz de uma mulher sagrada”
Vaca Profana, Caetano
***
Este post contém palavrões. Muitos.
***
Minha mãe tem uma lista com as 17 coisas que ela gostaria de fazer antes de morrer.
Não são quinze nem vinte, são dezessete.
A lista é bastante oportunista, posto que muda de acordo com a conveniência da listadora. Por exemplo: eu não lembro de ter visto ou ouvido que nessa lista constasse “ir a uma corrida de fórmula I”.
No entanto, assim que chegou em Singapura e soube que a corrida estava pra acontecer aqui, minha mãe já foi logo dizendo:
-Precisamos ir.
-Mas mãe…
- Precisamos ir. Desculpa, filha, tá na minha lista.
Eu não tenho uma lista propriamente dita, mas existem coisas que eu adoraria fazer antes de passar desta pra uma melhor:
Voar de asa delta.
Aprender a tocar violão.
Estudar mitologia grega.
Dar um tapa na cara de Paulo Maluf.
Ter um parto normal.
***
Para se ter um parto vaginal depois de uma cesariana (o tal do VBAC) você precisa, antes de tudo, encontrar um médico que ache isso possível, correto? Porque nem todos estão a fim de fazer.
Busca aqui, busca ali e eu encontrei Dr Lai.
Já na primeira consulta cheguei a duas conclusões:
- Se havia alguém que acreditava no meu VBAC essa pessoa era ele.
-Em circunstâncias normais de temperatura e pressão eu NUNCA o teria escolhido para trazer filho meu ao mundo.
Explico.
Dr. Lai reunia algumas caracteristicas que, apesar de nada graves e até bastante superficiais, conseguem me irritar de maneira quase insuportável. Citarei três delas:
- Dr Lai possuia apenas UMA expressão facial, da qual se valia no início, no meio e no final da consulta. Uma expressão um bocado morna e genérica, difícil dizer se aquele troço era alegria ou tristeza. Também era impossível identificar se o homem tinha 50 ou 150 anos, já que os orifícios de seu rosto não me pareciam terreno fértil para rugas de expressão, as quais, como o próprio nome sugere, precisam de expressão para brotar, procriar, ser feliz. Não há ruga que sobreviva naquele deserto. Não eram raras as consultas em que eu não conseguia prestar atenção em uma palavra que o sujeito dizia, só imaginando o quanto devia ser difícil pra esposa dele. Você casar com um homem que vive sempre com a mesma cara? Na sacanagem e no velório? Aquilo é vida?
- Dr Lai tinha aperto de mão flácido. E deve haver pouca coisa no mundo que me irrite mais do que um aperto de mão flácido, daqueles em que a pessoa estaciona a própria mão na sua, empregando ZERO força ao ato apertatório. Você estica a mão com vontade e recebe aquela coisa mole e deslizante. Sempre me intrigou isso dessa gente que possui aperto de mão mole. Céus, o que leva uma pessoa a estabelecer para si este modelo de aperto brochado, desanimado?! Preguiça? Anemia? Egoísmo?
- Dr Lai era um pisador de calcanhar compulsivo. O pisador de calcanhar é aquele sujeito que não consegue medir a distância dos próprios passos e sempre acaba por pisar-lhe o calcanhar. O pisador parece não dominar noções básicas de distanciamento, medida e compasso. Imagine que a humanidade caminhe em uma certa velocidade e ritmo. Os pisadores de calcanhar não acompanham esse jazz humanitário, eles são seguidores de sua própria melodia. Pisadores te machucam o calcanhar e, não raro, arrebentam a tira da sua sandália. Eu sei porque sou casada com um deles (quando descobri já era tarde).
***
Mas Dr Lai acreditava não só que eu conseguiria um parto vaginal como ele ainda apostava na coisa da pessoa parir sem anestesia.
Sim, Dr Lai era um entusiasta do parto sem anestesia. Era entusiasta, mas lhe faltava entusiasmo o suficiente para me convencer, judiação.
- Me dê um bom motivo para que eu abrace a idéia de um parto sem anestesia? – eu perguntava.
- Porque é melhor, ele dizia.
E me olhava com a mesmíssima expressão facial de quem arruma uma gaveta de meias.
***
Na consulta de 40 semanas eu já estava tão acostumada com o jeitão monoexpressivo dele que já ia pro consultório do homem lixando as unhas.
Na hora da ultrasonografia, porém, algo muito louco aconteceu e, por um minuto, eu vi um comecinho de uma expressão diferente se formar. E aquilo me parecia preocupação.
- O que foi Dr?
- Hum…
- Fala, ômi!
- Ela virou, a bebê virou. Está em OPP.
- Tá em que, meu filho?
- Em posição posterior. Bebês nascem olhando para baixo, certo? Pois ela virou e está olhando para cima.
- Ai, caceta, alegria de pobre dura pouco. E agora? Faca?
- Não, não tem problema nenhum. Faremos o parto normal, mas agora eu lhe sugiro…
- Sugere a faca?
- Sugiro que tome anestesia. Porque existe uma grande possibilidade de que este seja um parto longo e bastante dolorido.
***
Ou seja, a vida me testando, né?
Pra Dr Lai me indicar anestesia, minha gente, era que a coisa ia ser dolorida.
Duas horas com Tio Google e eu já estava chorando e pedindo perdão a deus por um dia ter enganado minha prima dizendo que aquele papel de carta tinha vindo do Japão. Deus há de estar me punindo severamente pelo meu passado!
Os resultados do google para a tal da OPP – posição posterior – não eram lá muito animadores.
Tudo na base do “Como encontrei Jesus depois de meu OPP”
E foi no google que encontrei também o site de uma médica americana que sugeria algumas técnicas que fariam o bebê desvirar. Uma delas incluía boiar na piscina de barriga pra baixo.
Ou seja, boiar ao contrário, de bunda pra cima.
Visualize.
Agora acrescente vinte quilos e terás a visão turva do inferno.
Teve um dia em que, mesmo boiando e com a cara dentro d’água, eu consegui ouvir minha mãe, meu filho e meu marido RINDO e proseando “ela parece um verdadeiro hipopótamo!”.
Isso vindo de gente que me tem apreço, imaginem o que pensavam os outros.
***
Eu já estava com 41 semanas e o saco na lua quando resolvi tirar um cochilo depois do almoço.
Deito, ouço um PLOC.
Pra se ter uma idéia do quão lesada eu já estava nesse estágio, atentem para o pensamento que me veio à cabeça:
- Nossa, a bebéia bateu a cabeça na minha pélvis. Que louco, meo!
Cinco minutos transcorreram até que eu fosse ao banheiro. Sentei pra fazer xixi, fiz, fiz, fiz, e o xixi nunca terminava.
Mais um pensamento brilhante :
- Caraca, incontinência urinária braba.
Obviamente aquilo não era xixi, era a tal da água da bolsa. E o ploc nada mais era que a bolsa estourando.
(Agora, a pessoa lê tanto blog materno e não me sabe que a bolsa faz PLOC quando estoura? Tem cabimento isso?)
Digo, Manhê! Minha bolsa estourou!
Call me cafona, mas eu achei fantástico isso da bolsa estourar.
Liga pro consultório, que cor está a água?
- Eu digo verde.
- Que tom de verde?
- hum…
Verifico a cor da água e confirmo:
- Mecônio. 50 tons de mecônio.
Digo danou-se, lá vou eu pra faca.
- Não tem problema, vá pro hospital. Mecônio não justifica uma cesárea. Nós vamos monitorar o bebê e, enquanto os batimentos cardíacos estiverem ok, não há razão alguma para a cirurgia.
Disse isso e desligou, com toda aquela paixão que lhe é peculiar.
***
Os hospitais em Singapura têm pinta de hotel cinco estrelas.
Chega na recepção é aquela gente toda sorrindo, cas conta-tudo-paga.
“Welcome, Ms Ferec. I hope you will enjoy your stay with us”
Oi?
Por isso me deu foi pena quando meu aguaceiro verde tomou conta daquela recepção tão bem cuidada. Fiquei com tanta vergonha que a minha vontade era roubar o pano de chão da tiazinha e dar um tapa naquela bagunça – pobre não pode ver um kleenex dando sopa.
Chegando no quarto tudo estava como eu havia solicitado no meu plano de parto, entregue duas semanas antes pra enfermeira chefe. Luz baixa, bola de pilates, flores, velas, George Clooney – aquilo tudo que deixa um quarto de hospital um bocado mais charmoso.
Eu sou uma pessoa simpática, gente. Chego perto do ridículo, perguntem a quem tem o desprazer de me conhecer pessoalmente. Pois naquele dia eu ainda estava mais tagarela, cumprimentava todo mundo, abraçava enfermeira, conversava sobre a situação obstétrica brasileira, são todos crápulas, bla bla bla.
Mas toda aquela simpatia estava com os minutos contados (não mudem de canal).
***
Sentar naquela bola estava me fazendo bem até então. Andar pra lá e pra cá acenando pras pessoas, feito miss oktoberfest, também.
A dor era ainda bastante tolerável. Até cheguei a comentar com uma enfermeira que o povo era fresco demais com esse negócio de dor, não?
Ela riu uma risada crescente, daquelas que viram gargalhada de bruxa. E saiu do quarto.
Dali em diante foi ladeira abaixo. Dor, dor, dor.
Digo, amor, chama o pessoal das drogas, por favor.
(Naquele momento eu ainda dizia por favor às pessoas).
Anestesista chegou e me deu a dolorosa na espinha. Eu não vou mentir pra vocês: tive uma impressão ruim da moça, mas achei que fosse coisa da minha cabeça. Mas nunca é, certo?
Passados alguns minutos da anestesia a constatação: Eu não conseguia sentir minhas pernas mas a dor das contrações persistiam, quer cenário mais ingrato?
- Enfermeira? Tem alguma coisa errada aqui, minha flor (menos simpatia, mais sarcasmo).
E expliquei. E pedi que ela tirasse aquele troço imediatamente, que eu gostava das minhas pernas e precisava delas para parir.
Passado algum tempo todo o efeito da anestesia foi embora, a enfermeira foi embora, a anestesista vaca foi embora e a dor, minha gente.
Ah, a dor.
Creio que o primeiro estágio da dor verdadeiramente intensa pode ser identificado por sons baixos e gemidos.
O segundo por gritos.
O terceiro por visões e alucinações. E era nesse estágio que eu estava naquele momento:
Eu vi Cristo ser crucificado.
Vi o amor nascer e ser assassinado.
Eu vi as bruxas pegando fogo pra pagarem seus pecados.
De uma Roberta pimpona e simpática passamos para Roberta versão exorcista de tpm.
-Enfermeira! Enfermeira! Cadê a porra da enfermeira?
-Cadê a vaca da anestesista! Tragam as drogas, tragam agora!
-Diga ao viado do meu marido que me consiga uma anestesia já! Eu exijo!
(Eu sei, minha sogra, seu filho é um santo.)
-Roberta, nós já pedimos que ela voltasse, não sei porque está demorando tanto, dizia a enfermeira.
-Está demorando tanto porque não tem pai nem mãe, aquela vadia.
-Chame outro anestesista, então!
-Não estamos conseguindo, Roberta, tente se acalmar.
-Pois gastem menos dinheiro naquele cacete daquela recepção e esta merda de papel de parede e invistam mais em anestesistas! Por Deus, vocês não têm coração??
Volta a anestesista. Me fura novamente e eu AINDA sinto toda a dor.
TODA. A. DOR.
E é aí que eu começo o meu discurso de adoração aos anestesistas brasileiros, no melhor estilo Temos a Amazônia! Temos as Cataratas do Iguaçu! E temos os melhores anestesistas do mundo!
A dor era tanta que comecei a chamar cesarista de meu nêgo. O médico cesarista, outrora crápula, virou um cara bacana, um sujeito sangue bom, um cara cheio de suingue.
***
22 horas mais tarde e 10 centímetros de dilatação depois eu já me encontrava no quarto estágio da dor.
Aquilo já me parecia um outro lugar, um outro mundo.
Um estágio meio lança perfume, uma coisa “se eu quiser falar com deus”.
A voz do marido estava distante e eu só consegui ler os lábios da enfermeira me dizendo “Dr Lai chegou”.
Ele já havia passado pra me ver duas vezes, mas acho que foi tão esculachado que nem quis ficar pro cafezinho.
Na primeira de suas visitas eu gritei pra ele me tirar dali, que meu útero estava se rompendo, certeza! Não era possível uma dor teúda e manteúda daquelas!
Ele me explicou, com a mesma placidez de quem tá morto, que os batimentos cardíacos de Luna estavam espetaculares e que aquilo significava que ela estava bem, muitíssimo bem.
Escutei aquilo tudo e fui invadida por uma incrível vontade de chorar. Sei lá, gratidão misturada com uma vontade quase incontrolável de acertar-lhe as fuças inexpressivas.
- Roberta, por favor, não chore. Você vai precisar dessa energia.
E eu precisei mesmo. Que pra trazer ser humano pro mundo precisa de força, viu?
Quando vi a cabeça da bichinha me emocionei. Daqueles momentos na vida onde a tendência é a pessoa pensar coisa bonita, sabe? No entanto tudo que eu conseguia pensar era:
1. ela vai nascer ouvindo Clocks, do Cold Play.
2. deus, que cabeção.
3. putz, tem muito mais bebê dentro do que fora.
Dr Lai me interrompeu os pensamentos.
- Roberta, respira fundo e vamos trazer Luna. Ela está pronta e precisa de você.
E foi nessa hora que a força gigantesca veio e eu nem sei bem de onde.
Só sei que eu senti cada centímetro da minha filha chegando ao mundo, ao som de Clocks.
Saiu de mim e voltou pra mim, acho que nem percebeu que não era mais eu.
Senti o calor fortíssimo do corpo dela e desabei num choro que durou a vida inteira.
Dizem que antes da morte a gente vê a vida inteira passar feito um filme.
Pois eu vi esse mesmo filme, só que antes da vida.
Vi Luna no aniversário de 1 ano, Luna correndo e tomando seu primeiro banho de mar. Vi Luna na escola, eu a vi menstruando e chorando por terminar com o namorado.
Vi Luna abraçando o irmão em um natal qualquer e vi os dois rindo juntos, no porta retrato da mesa da sala.
E o meu choro virou compulsivo, alto, libertador.
Daqueles momentos na vida onde a tendência é a pessoa dizer coisa bonita?
Mas em vez disso me sai um:
- Bingo! Agora é voar de asa delta e dar um tabefe na cara do Maluf.
(juro por deus, tá em vídeo)

Ah, então vocês acham que eu não gostaria de vir aqui todo dia bater papinho?
Mas é lógico que gostaria, fofoletes. Mas não dá, o que se há de fazer?
Eu estava até pensando com meus botões não fechantes: eu não sou uma pessoa muito dada à inveja, sabe?
Sei lá – esse sentimento simplesmente não compõe muito meu repertório.
Mas se tem uma coisa que eu invejo nessa vida é a pessoa ter tempo, disciplina e disposição pra escrever no blog com frequência. Tipo todo dia?
Ai, eu acho tão chique, tão comprometido, tão álbum de recordação. Claramente este não é meu caso e, neste ano especialmente, este blog ficou plenamente entregue às baratas e demais bichos escrotos oportunistas. Deixa pra lá, ano que vem recupero (ou não).
***
Mas bora atualizar, colegas?
Da última vez que nos vimos eu estava toda faceira, decorando o quarto de bebéia, confere?
Pois lá estava eu, toda cantarolante, toda laiá laiá, toda Smurfete: arrumando o quarto da bichinha, assuntando no MMqD, cuidando do mais velho, fabricando pessoa no ventre, exercendo minhas funções de pessoa do lar, quando, do nada…
Cabrum! Mudança à vista.
Mudança de casa, do latim: e gravidezes lá és momentus de mudanças des domicilis?
Até aí você pode dizer “Ah, mas não é pra tanto drama, vá Roberta?”
E eu te respondo: é pra tanto drama sim, senta aqui e bora assuntar:
O lance é que a gente resolveu correr atrás do sonho de toda pessoa classe média que se preze – trocar um apartamento pequeno e central por uma casa com quintal, localizada na esquina da putaquel com os quintos dos.
Ou nos suburbs, como gringo adora dizer.
Gente? Vou falar uma coisa, procurar casa não vem a ser tarefa fácil. Muito diferente de buscar apartamento, casa é cheia de detalhes, cheia de traquinagenzinhas, cheia de mistério.
Olha, até fantasma eu vi numa delas. Virei pro agente gringo e disse:
- Bonita a casa é. Pena que é mal assombrada.
Gente, mas o homem deu um pulo, cumadis, um pulo. Foi correndo pro carro, sem nem se despedir do bocado de fantasma que ali residia.
Que mais que eu vi. Ah! Vi lagarto do tamanho de criança de 4 anos, juro pela fauna brasileira. Coisa de louco: eu lá, tentando prestar atenção no que o agente dizia:
“Veja, Roberta, o jardim isso, o jardim aquilo”;
…quando vejo aquele rabo verde pré-histórico passando bem atrás do agente medroso - o mesmo agente cagão dos fantasminhas.
Primeiro vi o rabo. Depois vi o resto da criatura, toda trabalhada na lerdeza, toda bonachona, passeando pelos jardins da propriedade. Olha, não é o tipo de bicho que você deseja ver ao acordar. Deus é mais, o bicho é uma mistura de jacaré com dinossauro – não dá pra achar lagarto cuti-cuti.
Mas ó, a gente reclama de ter que procurar casa e se deparar com fantasma e lagarto, mas pensem colegas, o quanto deveria ser difícil pra pessoa procurar casa na época dos tiranossauros rexes, deus os tenha? Não, colegas, aquilo não era vida! Quem ia querer um troço daquele no quintal da própria casa?
Duas dúzias de casas depois e eu finalmente encontrei um chuchuzinho de domicílio, sem assombração e sem bichos compridos, rabudos e pré-históricos no quintal. A casa era aquela, eu tinha certeza.
Mas como pobre é cagado, as coisas não poderiam ser tão simples assim. Tá lá, no Estatuto da Pobreza “Não praticarás mudança de maneira fácil e corriqueira. Alguma merda há de lhe esperar no meio do caminho.”
E esperava: eu tinha que sair do apartamento no dia X. A casa só estaria disponível no dia Y. Entre X e Y a família teria que aciganar em algum lugar provisório. Vida de retirantes? Praticamos.
O processo foi assim:
Encaixota tudo. Manda pra depósito de móvel. Chora as pitangas. Fica sem teto. Entra em processo de aciganamento. Vai pra lugar provisório. Enbarriga cada dia mais. Catuca pai, mãe, filho.
E o medo da bebéia vir ao mundo sem um único bórizinho pra vestir, sem uma única meia pá butá no pé.
“Já vai nascer maltrapilha e sem nome”, eu pensava.
E chorava lágrimas ciganas. Tipo Sandra Rosa Madalena – versão buxuda.
***
E quando eu digo que chorava, eu chorava mesmo.
Existe alguma coisa por trás desta gravidez que está me levando às lágrimas com uma frequência vergonhosa. Choro, choro, choro. Alguém me disse que isso tem a ver com o fato de esperar uma menina, mas não sei se acredito muito nisso. Vocês?
Mas é bem verdade que, barriguda de Noah, tudo era tão diferente! Eu não sabia o que era chorar, eu era o cão chupando manga – furiosa e esbravejante. Toda mandona, todo um mix de Lecy Brandão com viúva Porcina.
Já nessa, quanta diferença. Chego andar com lencinho no bolso, colegas, tamanha sofreguidão.
Sigo sendo viúva Porcina, claro, difícil a pessoa mudar tanto. Rio alto, falo alto, faço amizade até com lagarto.
Mas intercalo as porcinices com o chororô, muitas vezes no meio da mesma frase. Começo a frase rindo, termino ela chorando. As pessoas simplesmente não sabem como reagir, ô judiação.
Não, e vejam: com todo esse drama hormono-gravídico, minhas vizinhas ainda me resolvem fazer um churrasco de despedida surpresa? Isso lá é coisa que se faça a uma grávida?
Minhas vizinhas – uma americana, uma australiana, uma sul africana e uma inglesa – são todas mães de amigos do filhote, e organizaram tudo secretamente.
Umas fofoletes – até faixa de despedida com nosso nome a gente ganhou, achei bem Zeca Pagodinho.
Daí pensei “não vou chorar, não vou chorar, nada a ver chorar.”
E segurei o choro até o finalzinho do churrasco.
Foi quando eu derrubei uma linguiça no chão.
E o choro veio alto, veio compulsivo.
E da linguiça eu olhei pro filhote, que brincava bem feliz, com seus melhores amigos da vida.
E me dei conta que ia separá-lo deles, como já o havia separado da família.
E o choro veio intermitente e forte e visceral.
E olhando pro meu filho eu pensei nas crianças do mundo inteiro.
E na fome.
E na miséria.
E na Africa.
E do continente africano eu pensei nos leões, que me remeteram aos jacarés, que me levaram aos lagartos, que me fizeram pensar na casa nova e na maravilha de vida que nos esperava!
Dali pra começar a rir alto levou um segundo. Então eu ria, gargalhava, dançava, gesticulava!
Tudo isso apenas um minuto depois de ter chorado a linguiça derrubada.
Gente?
A bipolaridade gravídica. Só quem me entende é quem já gerou vida no ventre.
***
Não vou mentir pra vocês: os dois primeiros dias na casa nova foram infernais. Não se achava NADA e me doíam as cadeiras todas, a cabeça, o estômago. Pensei que fosse parir ali mesmo, em meio às caixas.
“Veja a seguir, um parto domiciliar diferente, entre as caixas de mudança”, Ana Paula Padrão faz a chamada. Um oferecimento: Mudanças Granero – Pensou mudança, Pensou Granero.
Digam aí se não ganhava horário nobre?
Mas no final deu tudo certo. Estamos dentro da casa, pertences parcialmente desempacotados e o relógio apontando 37 semanas do segundo tempo.
Noah trocou de escola (mais essa!) mas continua rodeado de montessorices e muita, mas muito alegria. Aliás, tô pra conhecer guri mais alegre, guri mais boa praça, guri mais de bem com a vida, Jesus.
Eu e o pai somos legaizinhos e tals mas, caraca, o rapaz me saiu todo trabalhado na endorfina, no amor próprio e na alegria de viver, deus conserve.
Vou parar por aqui, cumadinhas lindas, torçam pra que bebéia espere até que suas roupitas sejam lavadas?
Quem aí diz que nasce com 38 semanas? E com 39? E qual a pessimista que acha que minha boa hora só acontece às 42? Façam suas apostas, colegas! E vamo que vamo, que agora é ao vivo!
Ah! E no próximo post eu conto do terceiro dia de casa, quando dancei “Here comes the sun” com filhote e um velhinho de uns 100 anos, que veio aqui consertar um cano estourado.
Há de ter sido uma das cenas mais surreais que este país já viu acontecer.
Vejam: um velho, uma criança e uma grávida – eles podiam estar se aproveitando do status de incapazes e pegando o seu lugar no metrô. Mas não, estavam ali dançando Beatles, juntos e felizes, no quintal da casa nova.
A vida é bonita, gente. Bora ser feliz! E se puderem me mandar uma energia bonita e um beijo de boa hora (adoro!), agradeço eternamente.
Alá a pessoa chorando de novo.
Som na caixa, DJ!

Ora, ora, se não são estas as leitoras mais pitaqueiras deste mundo?
Pois não será por falta de palpite que esta criança nascerá sem nome, concordamos nisso?
Engraçado que quando comentei com marido que estava super confusa (entre um nome e outro) e que ia pedir a opinião de vocês, o rapaz virou e disse:
- Magina, é uma coisa muito pessoal isso de nome – duvido que elas vão querer se manifestar a respeito. Duvido mesmo.
Tá aí, ó. Uia, pessoa de pouca fé, esse pai dos meus filhos! Gente?
Ah, e somente pra constar - não, nós ainda não batemos o martelo e a criança permanece desnomeada. Estou à espera de um sonho, um sinal da vida, um sopro divino, sei lá.
Aguardemos os próximos capítulos.
***
A criança pode não ter nome, MAS o quartinho dela começa a ser garantido, deus conserve.
E é sobre isso que eu vim aqui falar com vocês: lembram que ano passado meu ser foi subitamente invadido por uma fúria louca do Faça Você Mesma?
Uma empolgação, uma febre, um remelexo, que foi me invadindo, me ocupando os orifícios corporais e acabou por me render o aniversário mais cuti-cuti de todo sudoeste asiático?
Pois é, colegas. A empolgação voltou.
E agora em forma de Faça Você Mesma 2012 – Versão Quarto do Bebê.
Ocorre que, apesar de estar com a vida corridíssima (filho AINDA em férias, vida expatriada, inacabáveis dramas, hormônios etc) eu ando com uma insônia gravídica tão avassaladora que só me resta ocupar a cabeça com fofurices. Eu podia tá robano, eu podia tá acordano o marido, mas estou me jogando no DIY.
E também achei um desaforo a pessoa ter que pagar mil-e-poucos por um móvel bebesístico. Então comprei um de cento e pouquinho e resolvi dar uma purpurinada na pobreza.
Então puxem suas cadeiras e acompanhem o milagre da purpurinização!
Senhoras e senhores, eis um móvel de cento e pouquinhos dinheiros.
Ele é sem gracinha, ele é basicão, ele não tem viço…
Agora acompanhem o milagre do entecidamento do mesmo. Praticamente uma cirurgia plástica gavetal.
E o resultado pós-botox entecidamento…é esta tetéia aqui!
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Colegas, eu tinha que dividir isso com vocês.
Analisem: se EU consegui fazer isso, então qualquer pessoa com idade acima de um ano e meio há de conseguir.
Para transformar aquele móvel marromeno em algo supimpa, você precisa entecidar!
Anotem aí. Você vai precisar de duas coisas.
Tecidos diversos:
- Cola milagrosa:
Só isso, cumadis. Mesmo. Sem segredinhos, sem maiores mimimis. Coloca a gaveta de barriga pra cima (?), passa o spray e cola o tecido. That’s all. Depois que o tecido já estiver colado (seja paciente, moça, espere um minutinho!), você vira essa parte já colada pra baixo, e começa a dobrar o tecido remanescente pra dentro das gavetas. Meio chatinha essa parte, mas nada que uma musiquinha alta não resolva.
Depois de tudo colado você coloca os puxadores de volta (eu mencionei que tinha que tirá-los antes, não??) e pronto!
Gente? Mais fácil que amar filho, vá!
Claro que seria muito mais charmoso eu vir até aqui e dizer que eu tinha lá uns tecidos sobrando e resolvi reaproveitá-los na reforma de um móvel sem gracinha.
Não, senhoras – eu ainda me encontro naquele nível de DIY onde a pessoa compra o tecido. Mas foi baratinho demais e eu estou deveras faceira e realizada com o resultado! E doida pra entecidar tudo que me passe pela frente. Te cuida não, marido!
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Que mais.
Ah, lembram das jarras de alumínio que eu usei no Halloween do filhote? Uma delas já se acoplou ao quarto da bebê. Noah trouxe pra casa um punhado de galhos que achou na rua. Iluminada pelo espírito do Faça Você Mesma, eu – adivinhem – mandei-lhe uma roupagem (?) de guache no galho. Depois foi só colar umas florzinhas de tecido de lojinha 1,99 e voilá!
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Por último, vocês lembram daqueles círculos de madeira que pessoas prendadas usam pra bordar? Tem nome aquilo, colegas?
Em meio às minhas insônias gravídicas e ataques à geladeira eu descobri que elas podem servir de moldura. Alá:
Feltro baratinho + círculo de bordar (?) = quadrinhos diversos. Já fiz uns quatro, pretendo encher a parede com círculos de diferentes tamanhos (a pessoa não tem limite, percebam).
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E me segurem porque eu acabei de achar umas belezocas baratinhas que estão IMPLORANDO pra serem trabalhadas e incluídas da purpurinização 2012:
E daí? Será que orna eu entecidar uma espuma e fazer um colchão pra essa cama?
Dicas e devaneios, vos imploro?
Ainda tenho que dar uma purpurinada no berço (ele é da turma dos sem-gracinha), fazer um móbile colorido pra distrair a bebéia, essas coisas de pessoa do lar.
Do lar – pero sin perder la purpurina jamás.
