Roberta, trinta e poucos, mãe do fundão, daquelas que interrompe o pediatra quando ele está falando.
Este blog é dedicado a todas as mães que, como eu, foram presenteadas com criaturas tamanho PP, que choram sem motivo, regurgitam na sua blusa nova, produzem cocôs explosivos, fazem birra no supermercado e não deixam você dormir direito NUNCA MAIS nessa vida de meu deus. Mães exaustas, culpadas, cheias de dúvidas ou à beira de um ataque de nervos, mas que não trocariam esse perrengue todo por NADA nesse mundo.
Aviso: Contém palavras impróprias, desabafos malcriados, humor negro, apologia ao escatológico, uma calça 38 que não passa nem nas canelas, olheiras e falta de glamour em geral.
As vezes, o que se vê, diz muito mais do que 1.000 palavras escritas. Então vá lá:
(pausa para assimilar a notícia...café?)
- Pois é.
Aconteceu assim: eu estava sozinha em casa. Fui até a cozinha, abri a geladeira e apanhei a tapauer com o queijo minas.
Nisso, a geléia caiu bem no meu pé. Ouch! Vidro pra todos os lados.
Numa tentativa de recolher os pedaços maiores eu me abaixo. Pego os cacões ainda cheios de geléia de amora e subo. Quer dizer, subiria, não tivessem meus cabelos enroscado naquele trequinho plástico que impede que bebês abram os armários, sabe qual? Um dispositivo de segurança que, aparentemente, também segura a juba de pessoa mais desavisada.
Mexe pra lá, mexe pra cá e o treco não solta meu cabelo. Desespero
Lá estou eu: pateticamente agaixada no chão da cozinha, os cabelos presos pra sempre em um dispositivo de segurança barato, cacos de vidro invadindo até minha existência e nenhuma alma viva pra me ajudar a sair dali. Aos prantos, pensei: aposta quanto que eu tô grávida?
Eeeeeeeeeeeee!!!! Claro que estamos explodindo de felicidade e tal e coisa! Na verdade eu até chorei de tão feliz.
Mas a pergunta que não sai da minha cabeça é: e agora, mané? Será que eu dou conta? Não sei se tenho essa coordenação motora toda pra responder aos emails do Minha Mãe, fazer entrega, ir ao banco, ser simpática com a moça dos Correios, viajar pra terras estadosunidenses, ser blogueira meia boca, esposa idem e, ainda por cima, ser mãe de dois? Sem esquecer nenhum no shopping??
Essas horas penso na Dona Marísia, que criou 4. Mas acho que as mulheres eram mais descoladas naquele tempo. Ou, quem sabe, aquecimento global, violência urbana e depilação estejam tomando muito do nosso tempo? Como também tomam tempo reciclar ,ler, educar, filtrar, comprar, vender, viajar, parir, namorar, dirigir, estudar, malhar, discutir, menstruar. E agora ser mãe de dois?? Sem esquecer nenhum na feira??
Deixo vocês com a imbecilidade que tive que ouvir ontem. Daí que minha vizinha de office virou minha cliente (Ma, querida, você falou que eu podia contar, né, ói eu contando, menina?!) Daí que o ex-sócio dela é meio babaca. E ele sabe que eu vendo coisas de bebê.
Ao escutar que eu estava grávida, o cara não deu parabéns, nem boa sorte, nem tudo de bom. Com aquela classe tão inerente aos malas, ele deu uma ajeitada no saco, sorriu de jeito malandro e soltou:
- Que jogada de marketing, hein?
- Que?
- Sua. Jogada. Engravidar.
- Ah. Pra vender mais roupinha pra recem-nascido?
- Isso mesmo – disse o mala, dando mais uma ajeitada no saco.
- Claro. Nossa. Claro.
Eu sinceramente acho que Dona Marisia só conseguiu criar 4 porque mala assim quase não vingava naqueles tempos. Só pode ser.
PS: volto aqui pra dizer que depois que terminei de escrever comecei a imaginar Noah e o irmão/irmã brincando juntos e sorrindo… e me deu uma vontade de sair cantando e abraçando todo mundo na rua…sério, me deu uma esperança, uma alegria, uma vontade de choraaaaaaaaar aaaaaaahhhhhh aaaaaaahhhhh (know the feeling, huh?)
Oi. Eu tenho um minuto e meio pra escrever, pois em total correria pré-viagem. Eu sei, eu sei que são só três dias. Mas eu acabo colocando tudo que é desnecessário na minha mala, posto que não nasci nem francesa nem extremamente versátil. O que me coloca milhas de distância daquela moça chiquérrima que você vê no aeroporto com uma mini-maleta:
- Vai passar só o fim de semana, né? (essa sou eu, pessoa cabine dupla, cheia de desnecessarices na mala.)
- Não, não, eu vou ficar 3 meses. Só trago o necessário, ma cherie (elas geralmentes são francesas, essas pessoas chiques e compactas).
Mas só com aquela necessaire???? Eu pergunto a vocês: como é que elas conseguem? E se neva aqui no Rio de Janeiro e a moça é pega, assim, de surpresa, totalmente despreparada? Pior: a pessoa sabendo que está vindo a um país de apagão e não coloca na mala nem uma lanterninha, nem uma vela de sete dias sequer? Tem dó.
Eu prefiro ser mais prevenida.
Até porque nunca se sabe que tipo de circunstância ou quem nos espera. Por exemplo. Hoje de manhã. Quem você viu hoje de manhã? O porteiro? O marido, a filha? O vizinho? Certo. Eu vi Madonna. Tá?
Sério, Madonna estava aqui em Botafogo, ói que mundo pequeno?! Pior é que eu nem tinha umas muambinhas comigo pra dizer “Madonnaaaaaaaaa, Madonaaaaaaa, 2 é 40, 2 é 40!”
* momento preocupação: ai meu Deus, vou checar se Noah está bem e se não foi levado da escola por Madonna, fingindo ser Roberta? Exagero? Vê lá se não é essa tal de Madonna que, por onde passa, vai adotando todos os bebês de nome estranho que encontra?
** momento maldade: já basta que aqui do Brasil ela já levou embora aquele moço Jesus…
***e os agradecimentos: quero muito agradecer a divulgação do Minha Mãe que Disse pelas queridas Flavia , Mari, e Isadora a consultoria da Roberta , da Dani, e todas essas blogueiras queridas dessa blogosfera materna, praticamente tias do Noah, a minha fotógrafa-irmã-futura mãe Dea, que tirou essa foto linda que ilustra o blog. Obrigada a Karlinha, a minha mãe e aos meus queridos sogros, que sempre me apoiam. As novas blogueiras e blogs que conheci, os quais quero linkar e ler assim que me sobrar um minutinho. Sobretudo, agradecer aos tantos e tantos emails que eu recebi. Não somente porque são pedidos – e pedidos são maravihosos e fundamentais pra que a coisa continue dando assim tão certo. Mas principalmente porque os emails me permitem conhecer gente que já me conhece daqui, que me lê sem dizer nada, mas que agora eu sei que existe: seja por email, por telefone ou pessoalmente.
(Pessoalmente, sim. E daí que eu acumulo função de motoboy da empresa? Pelo menos a gente sai na rua e dá de cara com a Madonna. Tá, ma cherie?).
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Um pequeno update: eu levianamente esqueci de agradecer a pessoa que tanto me ajudou nessa história. Ele próprio, meu grandíssimo amor. Obrigada por toda a força do mundo, que vc SEMPRE faz questão de me dar. Você não se cansa de apostar em mim, não? Bendito dia em que eu te encontrei naquele avião. Sentar do teu lado foi infinitamente melhor do que cruzar a chata da Madonna. Te amo, viu?
Ah…e obrigada ao Noah, que permite ser usado como modelo-sem-receber-nada em plena era anti-escravagista.
Não vou mentir pra vocês: eu acho que a maternidade aos 40 graus de temperatura é, digamos, difícil de ser exercida plenamente. Sim, porque me diga QUEM NESTE MUNDO QUENTE pode ser considerada pessoa plena depois de suar metade de si própria todos os dias?
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Noah também tem sofrido com as altas temperaturas. Ele, que já não ama bater um pratão, simplesmente se recusa a comer nesses dias encalorados. Não come. Não dorme. Sua em bicas.
Daí você pensaria que o ideal é deixar a criança dormir só de fraldas, certo? Depende. Se ela efetivamente deixa a fralda onde a fralda foi feita pra ficar então essa pode ser uma excelente idéia. Agora. Se essa criança, assim como meu filho, adora o barulho da fita da fralda sendo aberta, meu conselho é COLOQUE UM SHORTINHO, UMA CALÇA, QUALQUER COISA QUE IMPESSA ESSA CRIANÇA DE ABRIR A FRALDA DURANTE A NOITE. Caso contrário olha o que você pode encontrar pela manhã:
"eu juro, mamãe, juro que foi a fralda que abriu so-zi-nha"
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Embora ele esteja caminhando “firme” (well, tão firme quanto um bebê de 1 ano ou um bêbado possam andar) nós continuamos saindo com ele de Walking Wings, que ele usa desde que começou a ensaiar os primeiros passinhos. O único dia que fomos ao calçadão sem o tal do acessório Noah simplesmente saiu correndo e apertou as bochechas de um simpático pedinte que estava sentado na calçada. Me aproximei a tempo de evitar que o bebum oferecesse um gole de 51 pro meu filho.
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Aqui vai Noah, saltitante e livre (pero no mucho)
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Aproveito para jabalizar e dizer que tenho alguns desses “segura beijoqueiro” para vender. Como o site ainda está em construção improvisei esse blog aqui.
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Jabalizando um pouco mais: coisas fantásticas chegarão a partir de sábado que vem e poderão ser conferidas aqui a partir de semana que vem. Quem quiser aproveitar e encomendar alguma coisa pro filho, filha, sobrinho e afilhado, lááááááá dos lados estadunidenses, é só mandar um email pro minhamaequedisse@gmail.com. Pode encomendar. Até sexta agora. E o jabá termina aqui. Plim-plim.
Em tempo: xá-vê se eu entendi , 40 graus E blecaute??
- Chamo a polícia se vejo um cachorro raivoso, bravo e mal humorado sem fucinheira;
- Sabe aquela pentelha que dedurava as crianças do prédio quando elas resolviam que jogar ovo pela janela seria uma boa idéia? Pois essa dedo-duro sou eu.
- Cismo com o elevador do meu prédio, acho ele esquisito, feio e torto. Daí minto pro síndico e digo que venho repetidamente sonhando que aquele elevador cai:
“Será que não era melhor chamar a manutenção, Seu Geraldo, meus sonhos geralmente antecedm desgraças…foi sonhar que Lula virou presidente e olha no que deu…”
- Mando cartas a empresas cujos caminhões de entrega não respeitam o sinal de trânsito;
- Escolho taxistas a dedo: esse sim, esse não, esse não, esse só se mudar de carro, esse só se nascer de novo…
- Acho que o parquinho da praia está muito sujo (sim, cara amiga, tem gente que joga cigarro DENTRO do parquinho ) e resolvo gastar R$ 40,00 mandando fazer isso aqui:
- Choro com filmes sobre cachorros, filmes sobre crianças, documentários sobre pastas de dente. Choro com criança na rua, com as mães no Oriente Médio, com a pequena Connie Talbot cantando no Britain’s got talent.
Resumindo, uma dedo-duro chorona, temida e odiada por taxistas, crianças e cachorros bravos. E porteiros…e síndicos. E donos de quiosques da praia. E terroristas.
(vê, filho, por onde passa, a mamãe vai fazendo amigos)
Tá bom, tá bom. Não vou vir com o bom e velho “faltou apanhar” porque surra não resolve muito, não. Eu mesma apanhei e olha o resultado.
Mas essa moça que aparece dando piti aqui merecia ter ficado umas três horas de castigo, virada pro quadro negro, pensando no que fez. Resumindo: a moça chega atrasada, perde o vôo para Buenos Aires e manda todo mundo pro raio que o parta: grita com os funcionários de forma racista e elitista, diz que não vai mais sair da esteira e que vai quebrar o computador da Gol.
Não ia trazer o assunto não, mas acho importante assistir, morrer de raiva, depois surtar de pena, parar, refletir. Nós somos inteiramente responsáveis pela educação dos nossos, pelos limites impostos, pelo exemplo dado. Sim, porque essa garota já foi um bebê pentelhíssimo e provavelmente já teve uma mãe e um pai que acharam que estavam acertando. Mas a sua atitude mimada, arrogante e racista provam que alguma coisa saiu errada. Muito errada.
Em tempo: Os funcionários da Gol dizem que vão tomar as medidas judiciais cabíveis e pedir indenização. E eu fico me perguntando quem é que vai indenizar esse pobre marido…