Roberta, trinta e poucos, mãe do fundão, daquelas que interrompe o pediatra quando ele está falando.
Este blog é dedicado a todas as mães que, como eu, foram presenteadas com criaturas tamanho PP, que choram sem motivo, regurgitam na sua blusa nova, produzem cocôs explosivos, fazem birra no supermercado e não deixam você dormir direito NUNCA MAIS nessa vida de meu deus. Mães exaustas, culpadas, cheias de dúvidas ou à beira de um ataque de nervos, mas que não trocariam esse perrengue todo por NADA nesse mundo.
Aviso: Contém palavras impróprias, desabafos malcriados, humor negro, apologia ao escatológico, uma calça 38 que não passa nem nas canelas, olheiras e falta de glamour em geral.
Qual, na opinião de vocês, seria o destino mais apropriado para uma mulher que:
1. batia na mãe;
2. tem contra si cerca de 15 Boletins de Ocorrência, entre eles um B.O. por arrancar as roupas de um recém-nascido e caluniar a mãe de referido bebê (porque essa se recusou a dá-lo para adoção).
3. tem este semblante aqui:
Eu sei que quem vê cara não vê coração. Mas eu não convidava ela pro meu chá de bebê, não.
Muito bem.
Alternativa 1 – ela merece ganhar uma passagem de ida pro inferno – afinal de contas, quem bate na mãe e arranca roupa de recém nascido merece arder em algum lugar feio, emburacado e cheio de escorpião. Tomando coca-cola quente e sem gás. Morrendo de azia, com cãibra e na compania de Bin Laden. Condenada a usar um fone que emite zunido torturante no ouvido direito e Galvão Bueno no ouvido esquerdo.
Alternativa 2 – ela merece ser agraciada com a guarda de uma linda garotinha de 2 anos.
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Dilema número 2.
E qual, na opinião de vocês, deveria ser o destino de uma família que há anos acolhe crianças marginalizadas, abandonadas, carentes e delas cuida como se família fossem. Um casal que, além dos filhos “de sangue”, adotou e criou como seus outras muita crianças, jovens e adolescentes? Uma família que abriu o coração e as portas da casa para mais de mil pessoas, recuperando, re-integrando, enfim, fazendo aquilo que o Estado-com-letra-maiúscula não consegue fazer (por mais que a gente pague MUITO dinheiro pra que ele faça o dever de casa).
Alternativa 1 – A Família Santa Clara merece virar nome de rua, servir de exemplo a ser eternizado, imitado, consagrado. Uma iniciativa dessas deve ser aplaudida de joelhos, subsidiada, apoiada. Longa vida à Família Santa Clara! Com agradecimentos de toda a sociedade brasileira.
Alternativa 2 – A Família Santa Clara merece ficar sem recursos e, em algum momento ser visitada por algum promotor jovem e vivaz, que deve arrancar as crianças daquele que consideram o único lar que já tiveram, dos braços da única e verdadeira família deles. E o pior: separando irmão de irmão.
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Agora me diz se é ou não é um país cheio de autoridades com bi-polaridade crônica.
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Eis as mais recentes presepadas das autoridades:
Primeiro eles me jogam uma menina de 2 anos nas mãos de uma louca de pedra. A menina é torturada, xingada de cachorro (“mas cachorro é melhor que gente”, diz a tan-tan) e vai ficar marcada pra sempre. Valeu, Estado!
Agora eles resolvem traumatizar outros meninos e meninas que encontraram na Família Santa Clara o amor que nunca tiveram e a dignidade que mereciam mas que lhes foi cerceada. Foram arrancadas de suas caminhas, dos seus quartos, dos seus irmãos. E por que isso? Porque o Estado (aquele que não consegue cuidar dessas mesmas crianças) entendeu que a casa não cumpre com as determinações previstas em lei. Nossa, que puuuuta idéia, Estado!
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O promotor disse que só estava cumprindo a lei.
O sujeito frequenta o curso de direito, estuda muito, vira promotor e faz um ótimo trabalho cumprindo a lei “tem remédio vencido no porão, vou marcar um X”, “ah, esse colchão não está limpo o suficiente, mais um X”.
“X+X-Y+xxx-yyy = Isso mesmo. Podem fazer as mochilas. Vocês vão comigo.”
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Eu sei que a lei é pra todos. E que, de acordo com a lei, o estabelecimento não estaria apto a receber crianças. Mas se faltam recursos à família é porque custa caro cuidar daquilo que o Estado não consegue cuidar!
(e olha que a gente paga caro pro senhor cuidar, viu seu Estado?)
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Enfim, um desabafo. Eu li o que estava passando com a Família Santa Clara aqui no Eneaotil, que é um blog que eu gosto muito. E fiquei super sensibilizada.
Eu sei que a lei é pra todos. Mas quem aplica há de ser HUMANO.
E humanos não separam irmão de irmão.
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Esse é o site da Família Santa Clara. Eu vi que ali tem um link para doações e essa será uma das minhas maneiras de ajudar. Isso e colocar a boca no trombone.
Colocar a boca no trombone is the new black. Lembra do Ficha Limpa? Pois é, foi aprovado. Com restrições e luta árdua, mas foi. E você colaborou. Então continue divulgando/ajudando toda causa que lhe pareça justa. Que blog é bonitinho e tal, mas também pode mudar um pouquinho o mundo. Eu acredito é na rapaziada, gente bonita!
Passa lá no Eneaotil que tem gente propondo maneiras criativas de ajudar a Família SC.
A que eu mais gostei foi essa de ligar pro seu Luciano Huck e pedir pra ele dar uma força na reforma da casa da Família Santa Clara. Alô, seu Huck, dá uma foiça aí, vá!
E eu acabei de pensar em outra: pegamos a casa lindíssima de veraneio da bruxa, que fica lá em Búzios, e transformamos ela em um belo abrigo pra crianças.
O meu pai é carioca mas se criou no sul. A minha mãe nasceu no sul mas cresceu aqui no Rio de Janeiro. Fora essas duas referências, esta retirante que vos escreve viveu anos em São Paulo, alguns outros em Salvador e mais uns tantos na capital inglesa.
E pra engrossar a feijoada com foie gras a moça ainda me casa com um francês, que chegou ao Rio aos 4 anos e que, apesar de ter estudado em colégio francês, cumpre com os três requisitos de carioquice adquirida: 1. chama quiosque de quioxxxxxxque; 2. chama zíper de “fecho ecler” e 3. toma mate gelado com biscoito globo (e-ca).
Sotaque não tenho mais – hoje falo um paulisurioca abaianado. E acho deveras engraçado quando alguém me pergunta se sou de Minas (??) Deve ser o meu amor incondicional pelo pão de queijo.
Acho que Noah, apesar de ser carioca e viver no Rio, deve assimilar um pouquinho de tudo. A presença dos avós franceses é muito, muito forte na vida dele. Dá pra notar o quanto ele confia e adora os avós e o quanto ele se desliga do português quando está com eles. Infelizmente o convívio com a parte sulista da família não é muito intenso, mas deus salve o skype e o youtube, né não?
E porque é que eu tô falando nisso mesmo? Eu ju-ro que tinha todo um sentido começar o post assim.
Ah. O sul. Passamos uns dias no sul, eu e filhote. O sul foi onde passei a infância e é bacana ver tudo aquilo agora, sob o prisma materno. Foi uma delícia rever todo mundo, sentir frio e tomar café da tarde 9 vezes ao dia.
Daí eu gostaria de dividir com vocês algumas das minhas aquisições nessa viagem:
- ganhei uma dor crônica na lombar, um achatamento das vértebras e calombos nos calcanhares:
O rapaz estava impossível: corria (a toda velocidade) pulava (por tudo), torturava (a mãe). Em um dos inesquecíveis episódios, na padaria, ele derrubou TODOS os porta-canudos das mesinhas, espalhando centenas deles pelo chão da padaria.
Da série dilemas de mãe. Eu poderia:
- Catar todos os canudos do chão, pedir mil desculpas e me oferecer para pagar tudinho. Comentar que o dia está mesmo lindo, pegar o filho num braço, o saco de pão no outro e ir embora cantarolando ”all we need is love”.
ou
- Poderia fazer de conta que não era a mãe dele, dizer que ele era filho de uma vizinha minha muito da irresponsável. E daí pegá-lo pela mão e soltar um “ora, ora, onde já se viu…bora, menino, que a tia vai levar você até a sua mãe”.
Mas daí veio a voz da razão, empostei o meu melhor timbre disciplinador e coloquei o filhote pra catar os canudos comigo. Ele não achou muito engraçado, não, mas eu não voltei atrás. E sob os olhares de aprovação dos exigentes sulistas eu expliquei pra ele que aquilo era errado e que tinha me custado tempo, paciência e dinheiro. E que da próxima vez eu largava ele na porta da vizinha.
- duas MEGA olheiras-tipo-panda:
Nós dividimos a cama, eu e ele. Sabe lá o que é dormir com um indivíduo que tem a síndrome de ponteiro do relógio? Ele gira o corpo a 90 graus a cada 15 minutos, culminando SEMPRE em um muito bem dado chute no meu queixo. O dia em que eu cogitar cama compartilhada podem me internar.
- com uns buraquinhos a mais:
Eu tenho pra mim que caloria adquirida em forma de pães e doces se convertem inevitável e imediatamente em celulite. Pode fazer o teste: dê uma geral nos seus buraquinhos, memorize a localização de cada um deles, se empanturre de tortas gordas e volte ao espelho. Se você não acredita em mim faça pequenos xizinhos nos buracos pré-existentes e, após a comilança, verifique se não é verdade isso do milagre da multiplicação dos furos. Pode confiar.
- com o nome na lista negra da empresa aérea Azul:
Certeza que eles nunca mais deixam a gente voar. Pense numa mãe levantando da poltrona para pegar uma fralda limpa no compartimento superior (claro que ele fez cocô fedido nos primeiros 10 minutos de vôo, o que mais eu esperava?!). Agora pense numa criança de 18 meses tirando proveito do fato de a mãe estar em pé e com as mãos ocupadas para sair correndo pelo corredor. Até aí, fofo.
O drama começa quando eu vou buscá-lo lááááá no final do corredor e percebo que o cocô chernobyl vazou e que Noah agora se ocupa em roubar aqueles saquinhos de vomitar que ficam nos bolsões das poltronas. O ritual consistia em 1.dizer oooooooi ao passageiro, 2. enfiar o corpinho cagado junto ao joelho do infeliz e 3. descaradamente lhe roubar o saquinho de vomitar. Roubou de um, de dois, de três. E o cheiro piorando – cocô é sempre mais fedido a 30 mil pés, pode reparar.
Numa tentativa desesperada de salvar o tantico de dignidade que me restava eu agarro o pequeno terrorista, que se segura no cabelo da passageira e dá início ao mais enlouquecedor dos PITIS. E gritaria é sempre mais ensurdecedora a 30 mil pés, pode consultar. Minha vontade era abrir a janela e pular. Mas não sem antes trancafiá-lo no compartimento de bagagens.
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A conclusão é que você amadureceu uns 16 anos nessas mini-férias.
E nem só de traumas, sacos de vômito e canudos espalhados foram feitos nossos dias, filho: todos te adoraram e você se sentiu completamente em casa.
Estava feliz e saltitante e abraçou e beijou todo mundo (inclusive dois estranhos).
Experimentou o tal do danoninho (e não gostou).
Experimentou ração de cachorro (e adorou?) . Aliás, sobre a ração, juro que eu tentei evitar, mas você foi mais rápido. Que? Vingança ao seu piti no avião? Imagina! (hahahahaha hahahahaha – risada de bruxa.)
Passou a contar até 10. Do nada. Vá entender.
Percebeu que a mamãe se derrete toda e te ajuda NA HORA se você acrescentar a palavra “favô” às frases.
Em compensação já entendeu que a mamãe não te dá nada se você pede algo fazendo manha. Então você interrompe a manha, me olha nos olhos e diz com uma voz bem mais fina que o normal “favô, água, mamãe”.
Apontou um grilo e disse “ói aqui ó” e escutou a mamãe explicando se tratar de um bicho chamado grilo. Depois foi lá, pegou o lerdo do grilinho com os dedos e saiu pela casa gritando “bitchu, bitchu”. O grilo passa bem.
Você tocou o piano que sua mãe ganhou no natal de 1979, quando ela tinha 4 aninhos (yeah, you do the math..)
se vocês têm quase a mesma idade então porque você tem rugas e o piano não, hein mamãe?
Você alimentou os patos…
comeu um pedaço de jenipapo, ficou engasgado, com dor no papo...
E se vestiu de inverno…
pinheiros são nossos amigos
E eu pergunto: quem olha pra esse pitelzinho aí da foto pode imaginar que ele conste da lista negra de grandes companias aéreas e padarias espalhadas por esse país?
(Isso sem falar na Associação de Proteção aos Grilos.)
Mas antes do sorteio, permitam umas pequenas divagações:
Vacina
Por que será que toda mãe sabe de antemão quando uma pessoa-vacinadora tem natureza carrasca e vai vacinar seu filho com a delicadeza de um elefante tropeçante? E eu me pergunto se é normal, diante de tamanha abruptidão contra a cria, que a gente queira tomar a vacina da mão da Ramba e enfiá-la na respectiva… erm…jugular.
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Malas prontas
Se eu represento pelo menos 4 vezes o tamanho do meu filho então porque será que ele fica com 85 e eu apenas com 15% do espaço da mala? E isso lá é um mundo justo e igualitário?
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Empresas aéreas
Quando é que alguém vai ter coragem de dizer às atendentes de companias aéreas que aquela voz que elas insistem em fazer passa do limite do irritante? E que se o objetivo em fazer aquela voz é parecer pessoa magra, chique e inteligente, então eu vô tá te falano que não tá rolano, viu querida?
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TPM
Querida mamãe-natureza. Façamos um trato: a gente continua a arcar com o fato dos bebês nascerem coliquentos, refluxentos e sem dente nenhum na boca MAS, em troca, a senhora elimina a nossa TPM e só a devolve quando a cria já tiver, assim, tipo 5 anos de idade. Se a senhora que é mulher não fizer isso por nós, então quem raios vai fazer, hein mamãe natureza? O São Pedro, que nunca na vida sequer viu um tampax?
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Sobre o post das baladas
Tô passadíssima com os comentários ao post sobre baladas com a cria, que me levaram a crer que praticamente inexistem coisas bacanas pra mamãe, papai e bebê na maioria das cidades brasileiras.
Então a partir de hoje, colega, toda vez que você sentar com aquele seu amigo investidor, vale a pena contar do filão que ele está perdendo. E mostrar pro rapaz o post e os comentários, inclusive o da Mari (que diz que em Berlim tinha uma caixa de areia no meio do bar, onde as crianças ficavam tomando cerveja – digo – brincando, enquanto papai e mamãe comiam salsichão), da Keiko (que disse que cafés com espaço pra criança brincar são suuuuuuper normais no Canadá) e também nesse post da Paula do NY with Kids.
Enfim, quem sabe alguém acabe se empolgando com a idéia.
Eu comentei isso com um amigo solteiro e sem filhos e ele disse “Nossa, é mesmo…Como é que vocês dão conta de sair com os bichinhos? Ainda bem que tem a praia, né?”
Claro, querido. Uma facilidade só tomar um capuccino nas areias de Copacabana.
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Ficha Limpa
Um pequeno update em relação à votação do ficha limpa. Amanhã deve acontecer a votação dos últimos “destaques” da lei. Destaques são alterações sugeridas pelos caras-de-pau deputados. Algumas alterações são tão patéticas que praticamente anulam a lei.
Mas isso não vai acontecer! Tenho fé que amanhã será um dos dias mais importantes da história política recente. Dá uma olhada aqui se quiser ver quais são os deputados que estão tentando desfigurar o Ficha Limpa. A lista é longa e entre eles aquele que já foi bebê, lembra? Nosso bezerrão, aquele moço, o Dr Paulo Maluf?
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Enfim, o sorteio
Eu de TPM, sensível e chorosa que só eu + super mega agradecida por ter tanta gente legal vindo aqui sempre.
Resultado: acordei, me olhei no espelho, achei uma espinha enorme brotando no meio da testa e soluçando falei:
“Eu sou uma pessoa de sorte, buááááááááááá, tanta sorte, buááááááááááá, preciso retribuir essa sorte toda, buááááááááááá”
(filho, marido e espinha me olhando assustados.)
Então eu queria agradecer de coração a todas as pessoas que acompanham meus delírios maternos. Especialmente aos que me deram tanta força em um momento muito difícil. Quando me perguntam, aliás, se eu não me arrependo de ter contado “precocemente”, aqui no blog, sobre a gravidez eu digo com 100% de certeza que NãO. Ter dividido aqui a minha tristeza fez tudo parecer mais claro, mais leve, menos difícil. Foi como ter um milhão de amigos, cada um retirando das minhas costas um pouquinho do peso, uma partícula do luto, um pedaço da dor. Muito obrigada. De coração.
Ui, chega. O sorteio
Então o Piscar de Olhos está sorteando um voucher de 80,00 (oitentão!) em compritas daqui.
Para participar são 3 palitos:
1. clicar no botãozinho “clica aqui ó”, ali do lado direito do blog..(aquele ali, de assinar o blog e tals..achou?)
2. deixar um comentário aqui;
3. e mandar um email para mamae@minhamaequedisse.com.br com o assunto – adivinha? – “eu quero”.
e, gente, eu detesto ser aquela pentelha, que parece a professora de matemática da 4a. série, mas pra concorrer tem que seguir OS 3 PASSOS…Sim, é todo um procedimento.
Você poderá escolher qualquer coisa do site com o voucherzito (porque, gente, não dá pra aguentar aqueles sorteios do tipo “exceto sapatos, blusas, tênis, saias, maiôs e gravatas. O resto (meias) pode”.
O envio é por sua conta, mas com PAC fica baratinho.
O sorteio acontece na primeira semana de junho – porque até lá, moçada, eu vou estar meio sumidinha.
E quando eu já achava que tudo estava perdido eis que chega às minhas mãos:
Alô Rio de Janeiro!
Foi assim ó: a Ana (mãe da Elena) e a Tamara (mãe do Henryque) estavam cansadas dessa estória de exclusão materno-social (ã?). Aquela coisa de não poder levar a cria pro bar, pro restaurante e tal, já que a maioria dos lugares ignora a existência desse tipo de ser chamado bebê. Bebê? O que é isso?, pensam eles.
Daí elas resolveram arregaçar as mangas, dobrar as fraldas e criar o Sambebê, que promove shows de samba e música brasileira de primeiríssima, para mamães e papais que adorariam fazer um programa que não envolva necessariamente a trilha sonora do Cocoricó.
Eu troquei emails com a Ana e ela me explicou que o volume do som será mais baixo do que aquele ouvido em shows “normais”, não se pode fumar, tem trocador e – prestenção – o ambiente tem tapetinhos e brinquedos espalhados. Sim, como num conto de fadas, cara amiga mãe.
Eu vou. Bora gente carioca?
Iniciativas como essa ou como o Cinematerna me deixam muito, mas muito feliz.
Quer ver outro exemplo? Eu e maridón tínhamos parado de levar Noah nos restaurantes porque ele ou 1. corre e grita “cocô no bum-bum, cocô no bum-bum” (detonando com o apetite da pessoa ao lado) ou 2. fica no meio do caminho dos garçons, provocando acidentes memoráveis e sorrisinhos amarelos de nossa parte.
Até que eu descobri um restaurante chamado Joaquina, que, aos domingos coloca uma cama elástica e dois balanços pra criançada se acabar. Pense em uma pessoa feliz. Era eu quando descobri que poderia comer (por sinal, comida brasileira de primeira) e tomar chopp com o maridão sem o chatíssimo revesamento-toma-que-o-filho-é-teu-enquanto-eu-como.
Eu acho que passou da hora do empresariado em geral entender que existe toda uma galera pertencente ao mundo bebesístico, que deixa de sair (e portanto de gastar dinheiro, viu seu empresário?) pela falta de opção child friendly.
Lembro da minha invejinha branca quando a Flávia, mãe do Astronauta, falou aqui do Sónar Kids. Sónar é um festival de música que já existe há algum tempo em Barcelona (eu fui! eu fui!) e recentemente foi adaptado à uma versão infantil.
E vocês? Onde vocês vivem existem bares, restaurantes, shows e afins adaptados pra criançada?
(Sempre que eu termino um post com uma pergunta lembro do “Você Decide”. Ai, dona rede globo, me deixa, viu?)
Deixo vocês com beijo grande de Dia das Mães e uma pequena amostra do que Noah (aqui com 13 meses) aprontará no SamBebê. Olha a Unidos da Mamadeira aí, gente!
E, não, colegas – eu não me refiro ao documento de identidade.
Acontece assim: primeiro você desaprende a andar de salto. Depois vira a mãe do Noah (Ou da Clara. Ou do Felipe. Ou dos gêmeos.) Desconhece assuntos que não envolvam fralda, escola, catarro e birra. E perde o contato com seus amigos “desfilhados”.
(Abre parênteses pra explicar que não, sua amiga sem filhos não “esqueceu” de retornar a ligação. Ela sabiamente preferiu pegar um cineminha a ouvir suas estórias sobre adaptação escolar e nebulizadores.)
Será que sou só eu, ou ser mãe implica mesmo em perder um pouco da identidade? Não é de hoje que eu me vejo meio monotemática. Quando Noah tinha 6 meses eu escrevi isso aqui. E de lá pra cá a coisa piorou, amiga leitora.
E não pára por aí. Além de meio perdidinha e monotemática de pai e mãe você vê aflorar ainda outras surpresinhas da sua personalidade. Adjetivos como CHATA/PENTELHA/CONTROLADORA hoje descrevem cerca de 52% de meu adorável ser.
Outro dia uma leitora-cliente-que -se-tornou-amiga veio aqui em casa e disse que estava se achando uma pessoa meio chatinha. E que toda vez que o marido jogava a filha pra cima (mas que mania é essa que todo homem tem??!) ela ficava atrás dos dois falando “cuidado com o lustre, ai meu deus, vai bater no teto”.
Eu sou (ou melhor, eu ESTOU) igualzinha a ela.
Talvez a coisa melhore com o tempo. Ou com um segundo filho?
E eu acho que minha situação é agravada pelo fato de que, quando não estou sendo mãe, estou vendendo coisas pra mães, escrevendo/lendo coisas de mãe. E aí me sobram 20 minutos e eu faço o que? Fico pentelhando deputado, em nome de…adivinha? Mães?! Ai, que preguiça.
E daí? Faz o que? Senta e chora? Vai pra terapia? Enche a cara com as amigas solteiras e, quando elas perguntarem como anda a sua vida, você fala “ai, já volto”, corre pro banheiro e fica lá até que elas mudem de assunto?
Vocês também se sentem meio assim?
(Porque terapia MESMO eu vou precisar se vocês me responderem ”Ai, Roberta, nada a ver: eu sou suuuuuper a mesma pessoa de antes”.)
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ps: Os comentários do post Filhos do Neocid deveriam ser publicados em livro. Foi libertador pra mim saber que todo mundo (da nossa geração) é meio filho de neocid, cigarrinho de chocolate e suco de revólver. Geração Unidos da Sobreviventes.