30
Jun
do tempo em que diarréia era cocô mole

Daí a pessoa leva o filhote pra passear na praça, munida de todos os apetrechos Copísticos Brasileiros – bola, camiseta, corneta. E ensina pra cria “corneta, filho, isso se chama cor-ne-ta”.

Para logo em seguida ouvir risadinhas de um grupo de meninas, todas na faixa dos 5 aninhos.

- O que foi? – você pergunta ao grupo de meninas risonhas.

- Vuvuzela, tia.

- Hã?

- Isso aí na mão dele…se chama vuvuzela, não corneta… vu-vu-ze-la.

E se acaba de rir da sua cara, o tal grupinho de baixa idade e muita opinião formada.

Maldito conflito de gerações.

Eu sou da época em que resfriado era resfriado, dor de barriga era dor de barriga e diarréia era cocô mole. Agora parece que todas essas mazelas da saúde humana passaram a atender pelo carinhoso apelido de “virose”.

A pessoa vai dormir achando que sabe tudo e quando acorda descobre que a corneta virou vuvuzela, toda pereba agora se chama virose e o plástico virou inimigo oficial da primeira infância. Isso mesmo – parece que o inocente plástico de outrora, quando colocado no microondas, solta uma substância de nome paroxítono que pode mais ou menos dizimar com a população inteira da India.

Assim fica difícil acompanhar.

***

Mas eu só passei aqui voando pra vocês não acharem que eu desapareci, sequestrada por algum grupinho de elementos de baixa idade e muita opinião própria. Aliás, interessante como hoje as crianças são cheias de opinião, percebem?

Na minha época a gente engolia um bocado de sapo, simplesmente porque adulto era adulto e criança era criança. E adulto era dono de uma coisa a qual criança NUNCA conseguia se apropriar: a verdade.

Quer ver um exemplo?

Quando eu tinha 5 anos, guardava dinheiro dentro do porquinho. Daí um dia meu irmão mais velho veio e se apropriou de minhas economias. Eu, então, resolvi me apropriar de alguns objetos do quarto dele, mas tive que devolver tudo porque minha mãe falou que aquilo não era correto.

Ela disse que dinheiro tinha que vir de forma merecida. E que eu deveria encontrar alguma maneira honesta de ganhar – trabalhando, por exemplo.

Por dias e dias eu fiquei pensando, calculando e imaginado uma maneira honesta e merecida de capitalizar. Foi quando eu vi um tijolo. E descobri que se eu raspasse aquele tijolo, o que saía dali era um pó vermelho, parecido com o tal do blush que as mulheres crescidas usavam na bochecha.

O plano era relativamente fácil e envolvia:

1. raspar  tijolos;

2. embalar aquele pó todo em pequenas embalagens individuais;

3. escrever BLUSH (em letras vermelhas), em cada um dos pacotinhos;

4. sair vendendo na vizinhança.

Alguns dias e muitos calos depois eu já tinha pó suficiente pra ser aceita em cartel de drogas colombiano.

Mas ao visitar a primeira vizinha, a propensa cliente já riu na minha cara e ameaçou contar tudo pra minha mãe. Como eu era criança de antigamente, daquelas que engoliam um bocado de sapo e aceitavam a verdade dos adultos, eu respirei fundo e falei “sim, senhora” .

Então eu joguei fora todo o fruto do meu trabalho de dias e disse adeus à possibilidade de sair na Revista Caras Kids .

Fico pensando se isso tivesse acontecido nos dias de hoje. Do jeito que a criançada é to-da cheia de opinião, a Robertinha 2010 certamente argumentaria com a vizinha, nos seguintes termos:

- Pois fique a senhora sabendo que este blush é feito de tijolo, que é feito de argila orgânica, encontrada nas várzeas e córregos. A argila é submetida a um processo natural de prensa e corte, o qual resulta neste excelente produto natural biodegradável.  Agora dá licença que eu vou pegar minha vuvuzela e protestar contra esse blush químico, nocivo e testado em animais que a SENHORA insiste em usar. Humpf.




22
Jun
na casa do astronauta

Eita, olha que honra a gente aqui ó.

Adorei a casa do astronauta, ô gracinha de lugar.

E, galera, obrigadíssima por todo o apoio e positive vibes pro meu pequeno Noah.

Shalom! Namastê! Axé!

Ele manda agradecer e diz que já está tocando o puteiro se sentindo novo em folha. E é claro que, por traz de todo filho recuperado, existe uma mãe que é só o pó feliz da vida.

Beijos a todos, a gente se vê lá na área vip do astronauta, então!




21
Jun
inapta a exercer essa tal maternidade

Mente quem diz que estamos preparadas pra vê-los sofrer. Não estamos. Passei aqui só pra dizer isso.

Já são 5 dias de colo constante por conta dessa virose maldita. E criança lá tinha que pegar virose? Quem foi que inventou essa brincadeira de mau gosto de que criança tem que sofrer, me fala?

Ele nasce e você se acha preparada. Daí ele pega um resfriado e você se sente de mãos atadas, mas continua acreditando que vai  tirar de letra.

Mas é ao vê-lo vomitar pela primeira vez  que você se dá conta do quanto suas mãos podem estar atadas. Ver a calça do seu filho cair porque ele ficou doente e perdeu peso deveria ser proibido por lei.

E diante do olhar assustado da cria, que se arregala ao perceber o próprio vômito, e procura no seu olhar a resposta pra tamanho desconforto, tudo que você consegue falar é:

- Foi a sopa filho. Ela queria muito ter ficado na sua barriguinha, mas ela lembrou que tinha compromisso e resolveu sair. Não faz mal, depois ela volta. Tchau, sopa.

Desculpem, mas hoje é assim que eu me sinto: nitidamente inapta a exercer essa tal maternidade.




15
Jun
a culpa do mundo é nossa

Queria começar agradecendo a todas as meninas que comentaram o meu post de ontem. Foi muito reconfortante saber que não, eu não sou louca.

Lembra como a vida inteira gente aprende que as mulheres são desunidas? Pois é. Parece que essa desunião começa a sucumbir assim que a gente vira mãe, na maioria dos casos. Pode notar. Ontem mesmo. Não só a galera me disse que eu sou normal como disseram que louca era ela, a psicóloga. Quem precisa de terapia quando você pode contar com uma mulherada porreta dessa?

Mas tenho que confessar: mesmo com o aval de vocês eu tive que dar uma google-lada básica para saber, pelo menos, como lidar  com essa disputa entre pai x filho. Porque claro que faz bem pro ego essa coisa de dois caras brigando por você. Mas eu não quero deixar os dois cheios de sequelas só pra sair de princesa na foto, né?

Tá, eu sei, tô sendo dramática. Mas Jocasta que é Jocasta faz tempestade em copinho de tequila, meu bem.

Daí eu caio em um forum (ai, céus) justamente sobre o tema. E lendo ali, lendo aqui, acabo caindo em um assunto que não tinha nada a ver com o que eu buscava, que é o ciúme doentio pela cria. Essa mulher, Joe (o forum era americano) dizia que estava tomada de uma ciumeira que ela considerava doentia. Que ela tinha tanto, mas tanto ciúme da filha, que não deixava a pobrezinha se relacionar com ninguém: nem com o pai, nem com a avó, nem com as tias. Mais grave ainda: ela pensava em tirar a filha da escolinha por puro ciúme da professora.

Fiquei comovida, intrigada, com vontade de dar pitaco. Passei a ler os conselhos da mulherada. Uma delas sugeria que ela criasse um blog para falar sobre o assunto, pois, quiçá outras mulheres também se sentissem assim e elas poderiam trocar idéias e trabalhar aquela ciumeira toda.

Joe então disse que já tinha tido um blog e que foi realmente muito gratificante receber comentários de tantas outras mulheres sobre o assunto. Mas que mesmo assim ela tinha decidido acabar com o blog. O motivo? “Bom, eu passei a ter muito ciúme das pessoas que deixavam comentários no meu blog porque percebi que elas comentavam também em outros blogues”.

Então, respondendo a minha própria pergunta:  quem precisa de terapia quando você pode contar com uma mulherada porreta dessa?

A Joe.  Desde que ela aceite que a terapeuta tenha, além dela, outras pacientes.

***

Copa X Culpa.

Hoje o maridão vai ser dispensado para assistir o jogo. Iupi! E eu também vou dar uma pausa no laboro pra torcer pro Brasil. Como a escola do Noah vai funcionar normalmente vamos deixá-lo lá e assistir o jogo inteiro, sozinhos, plenos e saltitantes.

Certo?

Mais ou menos.

Observem a equação:

Papai dispensado do trabalho + Mamãe dispensada do trabalho + Filho na escola  =

ELA. A MALEDITA CULPA.

Gente, é mole?? Culpa por não trazê-lo pra casa, já que estamos aqui, sem trabalhar. Claro que o resultado de trazê-lo pra casa seria ridículo: ninguém assistiria a Copa do Mundo porque Noah insistiria em  assistir ao dvd do Cocoricó na hora da cobrança de pênalti.

Acabei de passar na frente da escola, ele está lá, brincando, correndo, sendo feliz. Porque é que a gente é tão louca? (me responda, Joe!)

Tomada por esse sentimento totalmente descabido foi que eu compus o melô da Mãe Na Copa:

A culpa do mundo é nossa

Culpa de Mãe, é uma bosta

Tem culpa porque trabalha

Quando desmama

Quando desfralda

Boa Copa pra nós, mulherada.

E  deixemos a culpa pra escanteio (ai, que o galvão ia adorar essa…)




14
Jun
e quem não precisa de terapia??

Primeiro deixa eu falar de coisa séria:

A Priscila – a sorteada – apareceu.

(óóóóóóóóóóóó)

Nada disso. Vamos ficar felizes pela Priscila, gente. Ela me disse que nunca ganha nada em sorteio, olha que sorte ela deu!

(cara de indiferença)

Tá, eu sei que não dá pra ficar pulando de felicidade por não ter sido sorteada, mas quem sabe a próxima quem leva é você, hein!?

(buuuuuuu buuuuuuuuuuuu)

Ai, que feio fazer bu. Vai lá e dá um abraço na amiguinha Priscila. Muito bem.

***

Mais uma coisa importante.

Um plano de saúde cobrindo curso para gestantes te soa como uma coisa que aconteceria no Brasil? Ou você é da opinião que essas maravilhas só acontecem na Suíça? Hein? Pois acertou quem disse Rio de Janeiro – Brasil-sil-sil (na copa pode fazer essas cafonices, me deixa!)

Que bela iniciativa – clap clap clap, com empolgação. O curso eu mesma fiz e recomendo. Aline e Vitória são duas fofas. Uma duplinha que, com sua vasta experiência profissional, ajuda gravidinhas e gravidonas a enfrentar esse período de interrogações que é a primeira gravidez.

Antes de me inscrever eu pensei “putz, quer ver que eu vou chegar lá e vai ter aquele monte de doida barriguda aprendendo a segurar a boneca bochechinha?” Mas não. Um bom curso de gestante é bacana pra se falar de parto, de amamentação, de exercícios físicos, dos nossos medos e receios. E também pra encontrar outros seres que, como você, passaram de pessoa-super-classuda-descolada-de-andar-deslizante a uma  pessoa-cabine dupla-com andar de pinguim-e-incontinência-urinária.

Tá, você também concorda que curso de gestante é legal mas infelizmente  já gastou todo o seu orçamento de gravidez em coisas pro bebê e sutiãs beges? Então corre lá e vê se o seu plano não cobre esse curso supimpa. Mais informações aqui e aqui.

***

Agora coisas menos sérias MAS não menos importantes.

Eu  descobri que preciso de terapia.

Descobri isso ontem, numa sala de espera qualquer, ao trocar idéia com uma estranha (eu sei, mania besta). Papo vai, papo vem, ela me diz que é psicóloga.

Aqui eu abro parênteses pra explicar que eu sou tira-casquinha assumida. Sentei perto de um engenheiro, dá-lhe perguntas sobre engenharia. Dermatologistas – adoro. Professor. Vendedor de seguro. Hoje me considero apta, por exemplo,  a trocar os canos de minha casa – tudo por causa de uma viagem de 3 horas ao lado de um simpático encanador.

De dentista desconhecido eu quase não tiro casquinha, posto que o destino me presenteou com a melhor dentista do MUNDO. Além de excelente profissional, Fernanda já sabe dessa minha personalidade meio perguntenta. Na última vez, por exemplo, ela me explicou com detalhes as diferenças entre a dentição moderna e a do homem das cavernas. E eu pergunto: quem precisa do canal da Discovery quando se tem uma dentista dessa, me diz?

***

Mas voltando à sala de espera. Poxa. Uma psicóloga ali, dando sopa, e eu vou ler a Caras? Pra que? Pra achar que todo mundo é mais rico, mais magro e tem dentes infinitamente mais brancos que os meus? No, thanks.

Bom. Se ela mesma puxou papo e disse que era psicóloga, então não vai se incomodar se eu tirar uma casquinha despretensiosa, concorda?

- Pois é. O Noah agora está com essa coisa, né, de não deixar ninguém chegar perto de mim? Hahahaha, normal, né?

- Hum – diz ela.

- Pior ainda se for o pai quem está me beijando ou abraçando. Daí mesmo que ele vem correndo, separa a gente, me agarra e grita  ”a mamãe é meu!!” . Hahahahaha, normalíssimo, né?

- Hum…sei.

Silêncio na sala de espera. Pensei, putz, ela não achou normal. Tentei ser mais coerente:

- Assim ó, eu sei que menino tem essa relação com a mãe, eu já li a respeito. E ele não faz isso de uma maneira doente doentia, sabe? Por exemplo: se o pai beija meu braço, ele corre e beija o outro braço. Super fofo e normal, concorda?

Silêncio.

Pensei, ah pro inferno. Por isso que eu não faço terapia. Eu fico DOENTE com essa cara de você e eu sabemos que não é só isso”.

A primeira vez que vi essa tal cara foi com o meu segundo terapeuta. Chego no consultório e a primeira coisa que o sujeito me pergunta é:

- Você lavou as mãos assim que chegou. Posso te perguntar porque?

- Porque…eu estava no metrô?

- Sei.

Daí ele olha pra mim por cima dos óculos e faz a maldita cara do  “você e eu sabemos que não é só isso”.

Tem dó.

Volta pra sala de espera. Então eu virei pra moça, com quem eu já estava arrependida de ter puxado conversa, e disse:

- Escuta, você acha que tem alguma coisa de errada com o Noah?

- Bom, Roberta (agora ela me chama pelo nome..todo mundo sabe que essa é uma técnica usada há milênios pelos médicos de cabeça). O Complexo de Edipo geralmente começa bem mais tarde, lá pelos 3 anos. Então pode-se dizer que é muito cedo pra que seu filho exteriorize conflitos edipianos.

Silêncio desgraçado.

- E então?

- Olha, toma o meu cartão. Me dá uma ligada um dia desses. Só pra bater um papinho.

E daí ela entrou na consulta. E eu fiquei ali, com o cartão na mão, pensando “Merda! Eles sempre fazem isso!”

***

Após o episódio devo concluir que:

1. Se o complexo de édipo só começa aos 3 anos, então Noah deve estar passando por um período pré-edipiano. O que to-do-mun-do-sa-be-que-é-nor-ma-lís-si-mo.  Né?

2. Se ele vai até a minha gaveta, cheira os meus sutiãs e dá um suspiro é porque gosta do aroma daquele sachezinho de lavanda que eu coloquei no armário. Nor-mal.

3. Não há com que se preocupar.

4. Talvez eu precise mesmo de terapia. Mas quem não precisa?

E a conclusão mais importante de todas:

Encanador, professor, dentista, médico, vendedor –  tudo bem. Mas tirar casquinha de psicólogo – nunca mais.

Porque eles vão te olhar esquisito, vão te entregar um cartão e te sugerir que você dê um pulinho no consultório- só pra bater um papinho.

(Mas você e eu sabemos que não é só isso.)

Atualizando, atualizando! Descobri alguém beeeeem mais louca que nós todas juntas - aqui!