Daí que uma leva de pequenos infratores adolescentes entrou aqui no blog para aterrorizar. Deixaram oito comentários, todos bem ofensivos e levianos – não fossem cômicos.
“vocês ficum colocando as fotus do filho aqui s/nem se preocupar com os pedófilo” (sic)
“Olha aí ainda se acha boa mãe espondo o filho? vou denunciar no ratinho” (sic)
E por aí vai, é sic pra dar com os pés.
Na verdade eu nem sei qual a idade do grupo. O que me leva a crer que sejam adolescentes é a postura, a falta do que fazer, a ingenuidade, AS FRASES GRITADAS (adolescente adora escrever em maiúscula) e os erros de grafia. Ah, e o Ratinho – mencionado em quatro dos oito comentários.
Se bem que tem um bocado de adulto que não tem o que fazer, é ingênuo, GRITA e comete erros de grafia (eu, por exemplo).
Mas como eu prefiro acreditar que se tratam de adolescentes, segue minha resposta:
Caros Marcelo, Fernanda, Rodrigues, Valéria e Edu (IP 189.31.38.49)
Primeiramente, saibam que a tia não está brava com vocês.
Mas eu não posso permitir esse tipo de manifestação malcriada aqui no blog, combinados?
Porque, entendam, esse é um blog bacaninha, todo bem intencionado e frequentado por uma galera maneiríssima.
Não fica bem esse negócio de vir aqui e GRITAR, falar palavrão, escrever coração com S e ir embora, deixando apenas o seu IP. IP este que, por sinal, é de Brasília, né não?
Tá bom meninos?
Olhem. A tia vai dar um voto de confiança pra vocês.
Mas se isso se repetir vou ter que falar com a mamãe, ok?
Eu sei que essa frase é irritante mas vá lá: na idade de vocês eu estudava, dava aulas de inglês, ajudava em casa e ainda sabia cantar Faroeste Cabloco do começo ao fim, sem gaguejar.
Então bora tomar prumo nessa vida, que está mais do que na hora?
Cordialmente,
Tia Roberta
***
E eu juro que não teria problema nenhum em bater um papinho com a mãe dos meninos. Primeiro porque sou mãe e agradeço a qualquer pessoa que me faça uma reclamação (legítima) sobre a conduta do meu filho.
Segundo porque essa é minha especialidade. Oh, yes.
Quando eu morava em Londres roubaram meu celular. Não um celularzinho qualquer, mas “O” celular. Novinho, o bichinho tinha menos de 1 dia de vida. Zero quilômetro, cheirinho de fábrica.
Eu cheguei a ligar pro celular roubado e -pasmem – o ladrão atendeu! Ele tinha a voz bem rouca, nunca vou esquecer.
Fiquei tão, mas tão puta da minha vida, que esqueci de cancelar o número, só lembrando de fazê-lo no dia seguinte.
Fui à polícia, liguei na companhia telefônica e, pra minha surpresa e desespero, o ladrãozinho já havia feito quatro chamadas pra Nigéria. Quatro. Tá? Quase duzentas libras, o prejú.
Ah, eu não tive dúvida: liguei pro tal do número Nigeriano.
- Olá, meu nome é fulana, eu sou do RH de tal empresa, aqui em Londres. Nós recentemente entrevistamos uma pessoa para ocupar um posto na nossa empresa, mas infelizmente os dados fornecidos estão completamente ilegíveis! Eu adoraria poder entrar em contato, mas acho que tem um dígito faltando e …
Deu certo. A mulher falava inglês e imediatamente me disse “deve ser meu filho, moça”. E me passou nome, endereço, telefone, ele é um bom menino, tal e coisa, tchau e bênção.
No dia seguinte fui à polícia com as informações. Os policiais morreram de rir, acharam tudo muito fofo e quase me deram um emprego vitalício na Scotland Yard. Me explicaram sobre a máfia dos celulares, falaram sobre o mau tempo, agradeceram, você é uma boa menina, tal e coisa, tchau e bênção.
Mas, ai, gente, eu ainda estava deveras emburrada com a coisa toda. E sendo brasileira, a gente sempre acha que polícia…bem, vocês sabem.
Então resolvi ligar no tal do número fornecido por aquela que, supostamente, era a mãe cega do delinquente. Era um telefone fixo.
Liguei, alô.
-Alô, posso falar com Fulano?
- Sou eu, disse o ladrão rouco. Reconheci a rouquidão vida bandida na-ho-ra.
- Olha só. Eu sei quem você é. E eu quero meu celular de volta.
Desligou.
Esperei duas horas, alô.
- Alô. Eu quero o meu celular. Se você não me devolver vou fazer da sua vida um inferno.
- I don’t know what the fuck you’re talking about.
- Oh, yes, you do darling. And …
Tu-tu-tu, desligou.
Deixo passar um dia, alô.
- Sou eu de novo, devolve o meu celular.
- Não devolvo, ele está comigo but you’re so fucking annoying (você é tão pentelha) que eu não vou devolver.
- Ah, é? Então me aguarde.
E aquele virou meu hobby, por muitos e muitos dias. E noites. Ai, como eu adorava chegar da balada, as 3 da manhã, e ligar pra casa do ladrão. Ligava de manhã, de madrugada, coloquei amiga pra ligar. Foi todo um plano.
E o coitado não tinha identificador de chamadas, era um telefone fixo, ele tinha que atender.
Um dia eu cansei.
- Oi, sou eu de novo. Não desliga, não desliga! Olha só, eu cansei. Pode ficar com o celular.
E desliguei, certa de minha missão: contar tudo pra mãe dele.
Putz, não foi fácil: eu contei tudo e ela chorava rios. Me disse que já desconfiava, que tinha deixado ele sozinho em Londres mas o moleque nunca teve juízo, que o pai dele também era ladrão, que ela sabia que o certo a fazer era voltar pra Londres e colocar o rapaz nos eixos, antes que fosse tarde demais…
E o que era pra ser uma chamadinha rápida e dedo duro virou todo um programa da Marcia Goldschmidt.
Pode ter sido uma grande mentira, mas senti muita verdade em sua voz quando ela disse que:
- Está decidido. Ele que me aguarde, estou voltando pra Londres.
Tá certo que eu fiquei sem celular. Mas me bateu uma sensação de esperança, de dever cumprido, sei lá.
Claro que antes de dar o caso como encerrado ainda faltava uma ligaçãozinha…
Liguei, não atendeu. Deixei recado na secretária eletrônica:
- Oi, Fulano, sou eu. Olha. Só pra dizer que eu já esqueci do celular, tá bom? Sério mesmo, já dei por perdido. Ah, outra coisa. Ontem eu falei com a sua mãe, a Dona Ciclana, lá na Nigéria. Ela parece ser uma pessoa incrível e ficou super decepcionada quando soube que o filho estava roubando celular em Londres. E o mais bacana é que ela está vindo morar com você. E ela está bem chateada. Quites?
***
Isso que eu ainda não era mãe.
***
E falando dos desaforos adolescênticos e internéticos que a pessoa tem que engolir, lembrei de mais uma. Tinha acabado de chegar aqui, fim do ano passado, quando recebi um email da super blogueira-mãe-fofa-linda-alta-e-loura, a Luíza, do Potencial Gestante :
Assunto: O Noah por aí
Roberta, esse site é seu ou colocaram um vídeo do seu filho por aí?
E daí ela me manda o link desse site (não, eu não vou divulgar) que vende um genérico vagabundo de um produto que meu filho usou quando tinha 10 meses. O produto que meu filho usou era original, registrado, patenteado e produzido nos Estados Unidos. O produto que esse site vendia era, como eu já disse, um “genérico” – aqui eufemismo para imitação.
Então o que que o cara de pau pensou: vou fabricar um produto igualzinho a esse, vender on line e…usar o vídeo desse lorinho aqui pra divulgar o meu produto! Tudo bem que o produto que ele está usando não é o que eu fabrico, mas isso é só um detalhe, ninguém precisa saber.
E foi assim que ele despertou a fúria de uma mãe. E recebeu emails cabeludos de minha pessoa. E ficou com medo. E culpou o Zé, o funcionário (cla-ro!)
Eu não tive nem tempo e nem disposição para entrar com o devido processo, tinha acabado de mudar pra Asia.
Mas minha intenção é deixar bem claro pra ele, pra outros empresários mal intencionados, pra comentaristas malcriados e ladrões de celulares, que nós somos mães, somos unidas e somos MUITAS. (**)
E da próxima vez, seu empresário, eu ligo pra sua mãe. Ah, se ligo.
(**) Duvida que somos muitas? Olha aqui, então! Tags: site em construção/todo um mistério/o espaço é todo nosso/e os empresários que se cuidem/mães anunciando de graça/sócia misteriosa/já tem conta no twitter/mães divulgando/mães debatendo/mais um desenho da Lu.
Breve, no cinema mais perto de você.





