E o melhor a fazer nesses dias de rabujentice é evitar qualquer contato, com quem quer que seja. Sei que nada justifica essa minha azedice, mas prestenção:
- As obras na nossa casinha parecem nunca ter fim e, enquanto isso, não tenho cozinha, nem máquina de lavar roupa, nem paz e nem vizinhos que (genuinamente) me desejem um bom dia.
- Eu caí. Duas da manhã, e lá estou eu, ridiculamente estarrada ao chão do banheiro. Pura e simples falta de equilíbrio. Eu poderia jurar que senti o baby-esquilo soluçando de tanto rir da minha cara.
- Adquiri a graça de um hipopótamo. Francamente, perdi meu rebolado, logo meu rebolado, que era minha marca registrada, minha ilusão romântica de que o mundo é constantemente embalado por trilha sonora escolhida por mim!? Not anymore. Depois que o bebe nascer, fisioterapia e reza braba, se quiser reencarnar meu bom e velho estilo babalú de deslizar.
- Da azia eu prefiro não falar muito. Mas posso adiantar que é sem fim, como a tal da obra na cozinha.
- E agora pouco fui atacada e tive as canelas mordidas por um pigmeu canino absolutamente histérico, um projeto de Nina Hagen na menopausa, que, dentre tantas outras canelas, preferiu a minha. Porque canela de hipopótamo há de ser mais suculenta.
Humpf.

Quem me conhece sabe que meus dotes manuais impressionam tanto quanto o charme de George W. Bush, a maturidade de Britney Spears ou a auto-estima de Amy Winehouse. Eu sei tanto de artesananto quanto sei sobre a economia da Guiana Francesa.
Having said that sou tinhosa, tenho tempo, relativo bom gosto e estou cheia de hormonios de gravidez. O processo todo começa aqui. Esse é o Saara, a meca do barato. Eu desconfio que eu tenha um gosto refinado trancafiado dentro de um espírito de pobre. Me acabei no tal do Saara. São três ruas principais longuíssimas, cheias de muita coisa ruim, mas também, muita coisa bacana, se você tiver olhos de águia (o tal do espírito de pobre). Essa peça por exemplo, vem de lá. Só colocar uma velinha dentro e voila! E foi barganha, posso garantir. Também resolvi fazer os nichos do quarto do baby sozinha. Você compra as peças feitas em mdf, que é aquela madeirinha com cara de sonsa, compra a tinta apropriada, espalha jornais pela casa e pronto. Juro que é simples assim. Esses nichos prontos podem custar até R$60,00 na Tok & Stok, I mean, tenha dó.
Nicho em mdf: entre R$8,00 e R$12,00, no Saara.
Tinta apropriada: R$ 4,50 o tubo (da pra dois nichos)
Eu que fiz, eu que fiz, eu que fiz: Não tem preço.


Aos preocupados e preocupadas em minha vida. Não, eu não estarei sozinha na hora h, em que a bolsa estourar. Primeiro que tenho muita fé e pouco juízo (e esta é uma combinação que costuma dar certo.) Segundo que trabalho de parto pode levar horas e, até lá, o pai certamente estará ao meu lado, todo fofo, me ajudando com os exercicios pré-parto. Aparentemente os exercícios ajudam a reduzir a tal da dor das contrações. Eu tenho lá minhas dúvidas, afinal, chá de carqueja nunca me curou nada e meu soluço persiste, mesmo quando eu tranco a respiração. Sigo fazendo minha parte: yoga, meditação e longas conversas com Mr G. Mas, na hora h, if the worse comes to worse, acho beeeeeem difícil mamãe aqui dizer “não, muito obrigada” quando me oferecerem anestesia.
Aqui estou aos 7 meses de gestação. Engraçado que eu não incentivo nem meu próprio futuro marido a tirar fotos minhas enquanto pessoa gestante. No entanto, no meio do filme, no Cinema do Museu da República, eu vou escondidinha ao baheiro e zap (seria esta a onomatopéia apropriada??), tiro um par de fotos escondidas. How very subversive, diz ela.


Se engana aquele que, de volta ao Brasil após longa temporada em terra alheia, crê que não sentirá a menor saudade da ex-vida de ex-pat. Sente sim. Eu mesma, vez em quando me pego tragada pela melancolia, saudosa da minha Londinium. Me controlo pra não soar lamentosa e azeda, posto que tenho orgeriza daquele que volta mas não volta. E faz comparações esdrúxulas entre o statuo quo e o anterior. Eu, hein? Insuportável, sujeito repetindo “porque láaaa”, “é que láaaaa”, “imagine que láaaaa”. Intragable, como eles diriam lá.
Não que eu não ame o Rio de Janeiro, longe disso. Em que pese os problemas (que não são poucos), o Rio simplesmente não existe e eu adoro sentir o olhar de invejinha dos que vêm somente pra passear. Morador que é morador sabe que cara deve fazer ao caminhar pelo calçadão de Copacabana. Eu já aprendi – ponho minha melhor carinha de moradora, um andar meio solto, meio sem hora pra voltar. Faço jeito de quem vai continuar ali, uma cara de “pode me abanar do avião”. Então, só pra ficar claro, quanto a voltar ao Brasil e morar no Rio, no regrets.
Mas voltando as saudades de Londres, elas vêm e vão, feito metrô. Ah, o metrô londrino. Saudade vem quando eu lembro do quanto era fácil chegar by tube a qualquer lugar, quase a qualquer hora (e o quanto era seguro fazê-lo). E quando penso na organização tácita, impregnada na sociedade, onde só se entra no trem depois que todo mundo sai. E onde se deixa livre a esquerda na escada rolante (…porque láaaaaa…). No metrô carioca – needless to say – as coisas não funcionam desse jeito. Os horarios são limitados, as linhas são limitadas e nós usuarios nos limitamos a ignorar qualquer regra não escrita e dizemos Ih..não podia? Não gostamos do tal do Tácito.
Well, mais ou menos. Outro dia relembrei uma regra não escrita e, até onde eu sei e pelos países que visitei, de autoria brasileira. Regra esta que todo mundo por aqui respeita: A regra do sentou, segurou. No nosso metrô, lugar de mochila pesada é no colo de quem teve a sorte de sentar. Requer um pouco de técnica, mas é simples: quem tá em pé deixa bem a mostra o objeto pesado; quem tá sentado só faz esticar o braço, catar o sobressalente alheio e ajeitá-lo no colo. Convem sempre lembrar das regras do esse quebra/amassa. Marmita, por exemplo, melhor deixar em cima.
Grávida também é considerada “coisa pesada”, então também senta. Sempre, sempre, sempre. Nunca viajei em pé. E se recuso fica chato, porque são 2, 3 oferecendo, então parece desfeita minha.
E a saudade de Londres passa? No way, Jose. Mesmo com todos aqueles passageiros mau humorados, ainda sinto uma falta imensa do cheiros, dos jornais, das diferentes caras e tipos e daquela voz de mãe me mandando “stand clear off the closing doors“. Tudo isso está tão longe, mas ainda tão perto de mim. Oh well.. sempre existirão a Northern e Metropolitan lines. E enquanto eu não puder visitar Londres e matar saudades do Mind the Gap, estou feliz, muito feliz, aqui, simplesmente Observando o Vão.
