8
Jul
a bundchen, a dieckmann & o didi mocó

A moça é alta, magra, milionária e não gasta dinheiro com fralda. Não porque ela não tenha filhos. Mas porque o filho de 6 meses já faz cocô no penico.

Se houvesse algum resquício de justiça nesse mundo, nunca que eu ia me deparar com uma declaração de Gisele Bundchen dizendo que o filho de 6 meses já está sendo treinado para o desfralde. E com sucesso.

Eu sou da turma que acredita que “tudo não terás, darling”.

Se você nasce com a beleza de Gisele, com a sorte de Gisele e com a perspicácia de Gisele você jamais deveria passar ilesa pelo desfralde. Jamais deveria ter um filho que dorme a noite toda. E nunca, em hipótese alguma, deveria sair por aí dizendo que o rapaz não teve cólica nem refluxo.

Há de haver um equilíbrio, dona Bundchen. Ou a pessoa nasce maravilhosa OU tem um filho que não dá trabalho nenhum. Você escolheu nascer maravilhosa. Então bora acordar de madrugada e estourar o limite do cartão comprando pampers. Oras.

A única vez que me senti parecida com Gisele foi na gravidez dela, quando finalmente ficamos com a barriga do mesmo tamanho. Só que ela estava grávida de 5 meses e eu NÃO estava grávida, perceba o disparate.

Gisele uma vez afirmou que não se achava tão bonita.  E que bonita mesmo era Carolina Dieckmann. E posso falar? Com a Carolina eu me identifico.

***

Carolina,  assim como eu, achava que não havia mais nada de interessante a se fazer durante a gravidez a não ser comer. Tanto Carolina quanto eu,  almoçávamos `as 12:00, às 13:00 e novamente às 14:00 porque a gente “esquecia” que já tinha almoçado (que foi? todo mundo sabe que memória de grávida é uma merda.).

Não quero entrar em detalhes mas posso afirmar que Carolina e eu, juntas, engordamos o peso total de um adulto bem alimentado. E fico feliz em saber que ela contribuiu mais com o peso desse adulto do que eu.

E é engraçado, porque apesar de todo meu sobrepeso, o povo na rua tinha a pachorra de me dizer que eu estava ótima, e que eu era “só barriga”. E eu de fato era só barriga: uma barriga na bunda, uma barriga no queixo e outra na bochecha.

Enfim, eu te entendo, Carol. Assim como você eu comia 300 gramas de pão de queijo e, em seguida, entrava em processo de negação e dizia ao marido que a barriga só estava assim grande porque  todas as mulheres da família acumulavam muuuito líquido amniótico na pança.

Só que daí a cria nasceu, o líquido amniótico saiu e o pão de queijo ficou lá, acoplado aos glúteos.

E daí só me restou mesmo chorar e culpar os hormônios. E comer mais, já que na minha família as mulheres só conseguem amamentar comendo 22 alpinos por dia. E tradição familiar é tradição familiar.

***

Falando da Carolina Dieckmann lembrei que vi uma entrevista, onde a entrevistadora perguntava se algum dia ela (a Carolina) ia fazer um filho que se parecesse com ela, já que os dois filhos eram a cara do(s) pai (s).

Sou obrigada a me identificar aqui também. Porque putaquel como eu ouço isso.

A diferença é que é muito mais difícil pros filhos dela do que pro meu, concorda? Sim, porque de que adianta ser filho de Carolina Dieckmann se você acaba nascendo a cara do pai?

Eu não morro de amores pela idéia de ter um filho que não se parece nada comigo. Mas ao mesmo tempo fico aliviada por ele não ter nascido com meus pés. Porque meus pés são bem, mas bem esquisitinhos.

Não é que eles sejam tão feios. Na verdade eles são pré-evolução humana. Se você visse esses mesmos pés no corpo de um neandertal eles nem te chamariam atenção. O problema é que eu sou uma mulher mais ou menos evoluída nos pés de uma mulher das cavernas.

Mas como pra quase tudo existe um lado bom, por serem pés pré-históricos eles são altamente funcionais: consigo abrir os dedos e fisgar roupas, papéis e demais apetrechos sem deixar cair. Eu abro portas e armários com eles. Eu poderia lavar louça com meus pés pré-evolução.

Mas  apesar da funcionalidade, fico feliz por meu filho não ter herdado meus neander-pés. Fica bem mais fácil desfilar pelas areias de Ipanema com pés pós-evolutivos.  Vai por mim.

***

E quando seu filho nasce tão diferente de você só resta procurar traços da personalidade dele que se parecem aos seus.

Pois Noah deu pra ser palhacinho imitento. Imita todo mundo na cara dura.

Domingo passado foi a vez do segurança do parque. Paramos pra pedir uma informação e o tal segurança tinha um tique meio esquisito, fechava os olhos e piscava freneticamente. Agradecemos pela informação e saimos. Quando olhamos pro Noah ele estava com os olhos fechados piscando de maneira enlouquecida, feito doido foragido. O segurança não viu, ainda bem. Eu tentei ser politicamente correta mas não consegui: olhei pro maridão e sentei no chão pra rir até a barriga doer.

Hoje de manhã no elevador a vítima foi a vizinha. Ela deu uma risada alta e jogou a cabeça pra trás, batendo uma palminha. Pois o macaquinho se posicionou e forçou uma risada mequetrefe, jogando a cabeça pra trás e encerrando a performance com a derradeira palminha de foca.

Ele imita o avô andando, imita os amigos da escola, imita nosso porteiro. E foi assim que ele decobriu, aos 20 meses de idade, que ser engraçado é legal. E que ver a própria mãe, sentada no chão, gargalhando, com a mão na barriga, simplesmente não tem preço.

***

Quando eu era pequena eu não tinha cachinhos louros, não ia pra Disney nas férias e não tinha aqueles estojos que abriam compartimentos quando você apertava os botões.

A solução que eu encontrei pra ser amada foi ser meio palhaça. Então, assim como Noah, eu imitava. Imitava os alunos, imitava as freiras, o sotaque dos gaúchos e a Tetê Espíndola.

Um dia eu fui ao circo ver Os Trapalhões e o Didi disse pra minha mãe que eu era bonita e falante. Era o que faltava pra eu passar a acreditar que era filha legítima de Didi Mocó. Fechava os olhos e imaginava que um dia ele diria, em cadeia nacional:

“Gente, essa aqui é minha filha!”

E eu entraria chorando, com uma faixa na testa, cantando Physical, Physical da Olivia Newton Jones.

Ou seja, típica história da menina que nasce meio sem talento e vira palhacinha pra ser bem quista pelas pessoas.

E alguma coisa me diz que Noah pode ter herdado isso de mim. O que é uma pena porque eu preferia ele talentoso, sério e classudo.

Mas como essas coisas a gente não escolhe, eu já vou me conformando a ter um filho palhacildo. E a não ter sequer uma foto no futuro em que ele não esteja fazendo careta ou mostrando a banguelice.

Mas entre ter um filho que imita o jeito que eu ando e falo OU ter um filho com meus pés, eu fico com a primeira opção.

Difícil vai ser quando ele descobrir que eu tenho pés esquisitos. Se ele realmente puxou a mim não vai ter semana em que ele não vá sentar do meu lado, olhar pros meus pés, e sorrir dizendo:

“Mas, diz aí, mamãe… Quando você vai no salão fazer os pés, o pessoal ri baixinho e tal? Ou todo mundo faz de conta que eles são normais?”